O modelo e estudante de educação física Bernardo Ribeiro, de 23 anos, fez história no último mês ao ser o primeiro homem trans a participar da história do Mister Rio de Janeiro CNB. Trata-se do concurso tradicional e oficial, que na etapa nacional já revelou nomes de grandes modelos do país, bem como Gustavo Gianetti, Lucas Gil e Jonas Sulzbach.

Natural de Resende, interior do Rio de Janeiro, Bernardo Ribeiro conta que desde sempre se identifica com o gênero masculino. Ele lembra que na infância tinha um sonho: crescer e se tornar um homem bonito para ser capa de revista, ainda que não soubesse da existência de homens trans. Foi por volta dos 19 anos, quando se consultou com uma psicóloga, que conseguiu se entender e se identificar enquanto Bernardo.

O tempo passou, ele conseguiu externalizar a sua identidade e, hoje, já pode se realizar com o fato de ser considerado um dos 19 homens mais bonitos do estado do Rio de Janeiro. Porém, dentro da competição de Mister ao lado de 18 homens cis, ele ganhou novos sonhos e objetivos. Passou a almejar levantar a bandeira da diversidade e mostrar para o mundo a beleza do homem trans.
Não foi por acaso que ele fotografou, desfilou descamisado e de peito aberto, sem ter realizado nenhuma cirurgia ou procedimento estético no peitoral, para o grande público. O feito chamou atenção e Bernado diz que conseguiu atingir o objetivo de mostrar que homens trans são plurais, que a beleza masculina é diversa e que não é preciso seguir padrões para ser considerado homem. Ele simplesmente é. Em entrevista exclusiva ao NLUCON ele fala sobre os bastidores do concurso, padrões de beleza, como se sentiu não ter avançado na competição, desafios da profissão e novos sonhos. Confira!

Como foi que decidiu se inscrever para tentar ser o novo Mister Rio de Janeiro?
Era algo que eu nunca pensei e que aconteceu do nada. A única vontade que eu sempre tive era de ser modelo e ator, pois sempre gostei de tirar foto, da ideia de desfilar e de atuar. Mas fiquei sabendo do concurso através da minha antiga agência. Vi que nenhum homem trans havia se inscrito ou participado, então quis ser o primeiro para saber como seria. Aí comecei a me dedicar.

Você já estava participando do concurso há um mês. Por qual motivo você foi anunciado na véspera do concurso?
Não sei porque foi tão em cima e porque não divulgaram antes. Talvez seja porque a mídia estaria lá no fim de semana. Mas não sei responder.

Como foi a sua preparação?
Sinceramente não tive tempo de me preparar, se a gente for comparar com as pessoas que investem com muita antecedência. Moro em Resende e, como aqui não temos muitos recursos, acabei indo sem saber nada. Quando cheguei para a primeira prova, que foi uma prova de passarela, eu fui no estilo “iniciante mesmo”, bem do interior, sabe? Vi os meninos desfilando e eles mandavam muito bem, vi que eles tinham os trajes bem melhores que o meu.

Quais são os bastidores e desafios do concurso de mister?
As provas ocorriam aos finais de semana na Barra da Tijuca e eu tinha que sair de Resende e ir pra lá para participar. Então minha preparação foi correr atrás de patrocínio, bater de loja em loja para ter as roupas do desfile, tentar emagrecer e definir mais meu corpo, porque o biotipo do modelo geralmente é mais magro e até então eu treinava para crescer. Tive ajuda de um professor para me ensinar a desfilar, dei entrevista para a rádio da cidade, ajudei duas entidades carentes aqui, falei com grupos LGBTI+ de Resende e Volta Redonda. Tive muito apoio dos meus amigos, que me ajudaram na divulgação. A agência que eu fazia parte não me deu nenhum suporte. Eu consegui tudo por minha conta, eu que corri atrás do figurino, das aulas, foi tudo comigo.

Como os demais misters, todos cisgêneros, lidaram com o primeiro homem trans do concurso?
No começo, alguns achavam que eu era um homem com ginecomastia, mas quando contei a minha história, que eu sou um homem trans, eles me trataram super bem, com muito respeito e cuidado. O mais legal foi que no domingo, antes de a gente se apresentar, eu conversei com eles e agradeci a maneira como eles me trataram. Acho que é fácil a gente criticar as pessoas quando elas nos afetam negativamente, então achei importante parar tudo e agradecer pelo cuidado que todos eles tiveram comigo. Ainda mais no mundo que a gente está hoje, principalmente entre os homens, onde o machismo reina, é importante ressaltar atitudes positivas.

Ocorreu algum contratempo por ser homem trans?
Quando o fato de eu ser homem trans ganhou visibilidade, ocorreu um episódio em uma das enquetes. Uma fanpage colocou a disputa de um mister contra o outro. Todos estavam sem camisa, somente eu fui colocado com uma foto de camisa. Os meus amigos ficaram bolados, pois sabiam que eu também tinha tirado a foto sem camisa e criticaram a fanpage. Mas os responsáveis se desculparam e disseram que não sabiam que eu era um homem trans. A partir disso, as pessoas começaram a me mandar mensagem de incentivo, força, carinho e motivação. Fui para a final com todo amor dos meus seguidores e fiquei mais tranquilo. Sabia que, independente de qualquer crítica que viesse ou se eu perdesse, que foi o que aconteceu, eu ainda teria o carinho das pessoas que estavam torcendo por mim.

O fato de você ter desfilado sem camisa e de ter exibido o peitoral sem cirurgias também foi bastante comentado. Foi tranquilo para você desfilar de peito aberto?
Foi um grande desafio para mim. A primeira vez que fiquei sem camisa em público foi no réveillon deste ano, na praia. Lá só duas pessoas olharam para mim, mas não teve aquilo de “ó, que absurdo”. A maioria levou de maneira totalmente natural. Como foi meu primeiro concurso, ficar sem camisa ainda é um pouco difícil. Senti vergonha no começo, nervoso, mas não tinha jeito, eu tinha que colocar o meu corpo pra jogo. Até porque a minha ideia era mostrar pro concurso outro tipo de beleza, mostrar que nós, pessoas trans, somos belos e belas pelo que somos, independentemente de cirurgia. Ninguém precisa sentir vergonha do corpo que tem.

O que você pensava nos momentos em que estava desfilando?
Ficava ansioso. Porque uma coisa é a gente tirar foto, desfilar só pros jurados, mas quando você vai aparecer ao vivo no canal do Youtube, com uma plateia enorme vendo você, caraca, foi realmente algo que me deixou nervoso. Mas já que estava ali, usei aquele medo pra me superar. Eu sabia que não seria fácil, mas não estava ali só por mim. Então eu pensava que estava lá por todos os meninos que tem o sonho de tirar a camisa em público, de tirar uma foto ou de ir à praia sem camisa. Eu estava lá por eles. Também estava pela minha esposa, que tem uma marca devido a um câncer hormonal, e que muitas vezes não gosta de mostrar quando vai na praia ou na piscina. Eu estava mostrando que nosso corpo é bonito do jeito que é.

Você sente que, para além de uma vontade individual, há quem te pressiona a fazer a cirurgia no peitoral?
Existe uma imposição e uma pressão da sociedade, sim. Às vezes as pessoas perguntam: “Ah, você não pretende fazer a cirurgia para masculinizar mais o seu corpo?”, “Não vai fazer musculação para disfarçar o peito?”. Mas esquecem que se você não fizer a cirurgia você não vai ser menos homem. Cabe a gente parar e refletir: Se estou bem comigo mesmo é o que importa. Eu nem discuto e deixo a pessoa falando. Até quero malhar porque sempre gostei de um corpo mais musculoso e por conta da saúde, mas estou bem com o meu corpo. No momento não penso em fazer a cirurgia no peitoral, até porque tenho medo da ideia de estar numa mesa de cirurgia (risos). Eu gosto de mim assim, mas é claro que opiniões mudam e não sei se mais pra frente eu vá querer fazer. No momento estou bem como estou.

Como foi não ter chegado ao TOP 6?
Fiquei chateado, principalmente por nem ter ido ao TOP 12. Me dediquei muito, me esforcei pra caramba, tive semanas em que até passei mal por tentar conciliar tudo: faculdade, trabalho e concurso. Dei o meu melhor e o meu sangue. Por mais que eu não tivesse ido bem na primeira prova, na segunda eu já estava muito melhor e estava evoluindo muito. Eu já sabia que não ganharia, até porque sou baixinho, mas fiquei chateado.

Coisas de concurso de beleza…
Mas eu acredito que Deus tem planos maiores para mim. Posso não ter ganhado a faixa, mas ganhei algo melhor, que foi o carinho de todos Estar conversando com você também, por exemplo, que é algo que o Mister Rio de Janeiro não ganhou (risos). Também tentei absorver muita coisa para conseguir passar para outras pessoas que queiram participar.

Antes de ser mister você já trabalhava como modelo, né?
Procurei uma agência porque sempre quis ser modelo. Fez um ano que estive contratado, mas não considero um trabalho, porque nunca ganhei nada, não fiz nenhum trabalho que possa se dizer trabalho. Às vezes a gente faz um desfile pequeno para uma loja da cidade, faz umas fotos e só. A gente não recebe, é só divulgação mesmo. Mas essa é uma ideia que eu sempre tive desde criança: quando for homem, eu quero ser aqueles de capa de revista, de tirar foto, ser bonito. Hoje eu trabalho mesmo como operador da Michelin. Sou o primeiro homem trans a trabalhar em indústria da América do Sul. Então tem muita coisa pra contar a respeito da Michelin.

Como foi que se tornou operador da Michelin?
Quando mandei meu currículo, ainda estava com o nome anterior. A minha sorte é que, como sou muito carismático, contei minha situação para o RH, dizendo que queria que as pessoas me tratassem com o nome social masculino. E ela se dispôs a me ajudar. No começo, a ideia era que eu fosse chamado pelo meu sobrenome, até porque eu não havia iniciado a transição. Então todos me chamavam de Rabello. Mas daí vieram pessoas do RH de Campo Grande para conversar comigo, para que a empresa soubesse o que poderia fazer para o ambiente de trabalho ser agradável para mim, para que eu não sofresse nenhum tipo de preconceito. Eles me deram todo o apoio: colocaram o nome social no crachá, em todos os documentos que eram visíveis e em dezembro eles reformaram o vestiário masculino para que eu pudesse usar.

Por qual motivo reformaram?
O boxe era todo aberto, os homens ficavam pelados, tomavam banho sem porta. Para a minha ida ser mais confortável, eles tiveram que colocar portas e fazer uma obra para que eu pudesse usar. Eu janeiro entrei para o vestiário masculino.

Como é o seu trabalho lá?
Sou operador de produção e rodo turno. Cada semana estou em um horário diferente. Nessa semana estou trabalhando das 8h às 4h, semana que vem vou estar das 4 à meia noite, na outra vou estar da meia noite às 8h e assim vai. Folgo todo domingo. Não acho que tem nada difícil no meu trabalho.

 Foi fácil se entender homem trans, sendo que não tinha outros exemplos na cidade?
Descobri primeiro por causa do Thammy Miranda e depois quando percebi que não estava feliz com o meu corpo. Isso dos 19 aos 20 anos. Procurei uma psicóloga e ela falou de outros homens trans e eu vi que era isso. Mas é preciso dizer que quando a gente pensa em homem, a gente vê a voz, a barba, o pelo, mas têm muitos homens que não têm nada disso, não podem passar pela hormonioterapia até por questão de saúde e eles não são menos homens por causa disso. Até onde eu sei, sou o primeiro homem trans da cidade que “saiu do armário”. E muitas pessoas acabam vindo falar comigo para tirar dúvidas, fazer perguntas, tanto que sou fundador do grupo Diversidade de Resende. Acho que as mulheres trans e travestis acabam aparecendo mais na militância e na política, porque são elas as que sofrem mais. Os homens trans, principalmente aqueles que têm a passabilidade e fizeram a retificação, não sofrem tanto quanto elas.

Você já foi alvo de transfobia?
Diretamente não. Ninguém nunca me parou para me atacar e me ofender. Sofria muito quando eu me assumi lésbica. Eu estava num colégio de freira e as meninas não gostavam que usasse o mesmo banheiro que elas, não queriam fazer trabalho comigo, não queriam conversar comigo. Eu era muito excluído. Quando eu cortei o meu cabelo bem curtinho, eu sofri muito. Passava na rua e as pessoas me zoavam: “Menino ou Menina?”, gritavam na rua, faziam brincadeiras de mal gosto, sendo que na época eu não sabia que era um trans. Eu sofria muito.

Hoje você namora. Como foi que se conheceram?
A gente se conhece desde a escola, mas nunca conversamos. Quando nos aproximamos, eu estava no início da minha transição, mas ela já olhava para mim antes da transição. Ela me apoia em tudo, assim como eu a apoio.

Também conta com o apoio dos seus pais?
Eles acham incrível tudo isso, ver até onde eu cheguei e o que estou conquistando. Meus pais veem tudo com orgulho.

Pretende participar de outros concursos e seguir uma carreira artística?
Eu pretendo. Quis descansar um pouco a cabeça, pois realmente passei por muita coisa, mas quero sim voltar com o foco nos treinos, seguir na carreira de modelo ou ator. Quero terminar a faculdade de Educação Física e quem sabe ser um futuro educador físico. No momento tem aparecido muita parceria, uma agência de modelos do Rio de Janeiro entrou em contato comigo também. São oportunidades que eu quero agarrar e fechar essas parcerias. Quero ver o que vai dar e, se for para dar em nada, pelo menos eu tentei. Se for para ser, vai ser. Somos capazes de sermos o que quisermos ser. Só nos basta força e união. Juntos somos mais fortes.

*A revisão é de Vivian Navarro – Ela é assistente judiciário, andreense, feminista e ativista dos direitos humanos.

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Il modello trans Bernardo Ribeiro rivela com’è stato sfilare per il signor RJ alla sfilata di moda “Challenge”

Lo studente di educazione fisica e modello Bernardo Ribeiro, 23 anni, ha fatto la storia, essendo stato il primo uomo trans a partecipare alla storia del signor Rio de Janeiro CNB. Questo è il concorso tradizionale e ufficiale, che nella scena nazionale ha già rivelato nomi di grandi modelli del paese, come Gustavo Gianetti, Lucas Gil e Jonas Sulzbach.
Nato a Resende, Rio de Janeiro, Bernardo afferma di essere sempre stato identificato con il genere maschile. Ricorda che durante l’infanzia aveva un sogno: crescere e diventare un bell’uomo per essere una copertina di una rivista, anche se non sapeva dell’esistenza di uomini trans. Aveva circa 19 anni quando si consultò con uno psicologo, che riuscì a capirlo e farlo identificare come Bernardo.

Con il passare del tempo, è stato in grado di esternare la sua identità e, oggi, può essere realizzato essendo considerato uno dei 19 uomini più belli dello stato di Rio de Janeiro. Tuttavia, nell’ambito della competizione di Mister insieme a 18 uomini cis, ha ottenuto nuovi sogni e obiettivi. Ha iniziato a puntare a innalzare la bandiera della diversità e mostrare la bellezza dell’uomo trans al mondo. Non è un caso che sia stato fotografato, abbia sfilato senza camicia e petto nudo, senza eseguire alcun intervento chirurgico o procedura estetica sul pettorale, per il grande pubblico. Il risultato ha attirato l’attenzione e Bernado afferma di aver raggiunto l’obiettivo di dimostrare che gli uomini trans sono plurali, che la bellezza maschile è diversa e che non si devono seguire gli standard per essere considerati maschi. Lo si è semplicemente.
In un’intervista esclusiva con NLUCON parla del backstage del concorso, degli standard di bellezza, di come si sentiva nella competizione, delle sfide della professione e di nuovi sogni. Dai un’occhiata!

Come è nata la tua iscrizione per provare ad essere il nuovo Mister Rio de Janeiro?
Era qualcosa a cui non avevo mai pensato e che è successo all’improvviso. L’unico desiderio che ho sempre avuto è quello di fare il modello e l’attore, perché mi è sempre piaciuto fare foto, l’idea di sfilare e recitare. Ma ho sentito parlare del concorso attraverso la mia vecchia agenzia. Ho visto che nessun uomo trans si era iscritto o ha mai partecipato, quindi volevo essere il primo e ho iniziato a dedicarmici.

Perché sei stato annunciato alla vigilia del concorso?
Non so perché non lo abbiano divulgato prima. Forse è perché i media sarebbero stati lì durante il fine settimana. Ma non posso rispondere.

Come è stata la tua preparazione?
Onestamente non ho avuto il tempo di prepararmi. Vivo a Resende e, dato che qui non abbiamo molte risorse, ho finito per non sapere nulla. Quando sono arrivato per la prima sfilata, che era una gara di pista, sono andato in stile “principiante”, proprio dalla campagna, sai? Ho visto i ragazzi sfilare, avevano costumi molto migliori dei miei.

Quali sono i retroscena e le sfide del concorso Mister?
Le prove si sono svolte nei fine settimana a Barra da Tijuca e ho dovuto lasciare Resende per partecipare. Quindi la mia preparazione era quella di inseguire il patrocinio, bussando da un negozio all’altro per ottenere i vestiti nello show, cercando di dimagrire e definire di più il mio corpo, perché il biotipo del modello è di solito più sottile e fino ad allora mi sono allenato per crescere. Ho avuto l’aiuto di un insegnante per imparare a sfilare, ho rilasciato un’intervista alla radio della città, ho aiutato due entità bisognose qui, ho parlato con i gruppi LGBTI + di Resende e Volta Redonda. Ho avuto molto supporto dai miei amici, che mi hanno aiutato a spargere la voce. L’agenzia di cui facevo parte non mi ha dato alcun supporto. Ho fatto tutto da solo, ho cercato i costumi, le lezioni.

Come hanno fatto gli altri mister, tutti cisgender, a gestire il primo trans uomo del concorso?
All’inizio, alcuni pensavano che fossi un uomo con ginecomastia, ma quando ho raccontato la mia storia, che sono un uomo trans, mi hanno trattato molto bene, con grande rispetto e cura. La cosa bella è stata che domenica, prima di esibirci, ho parlato con loro e li ho ringraziati per il modo in cui mi hanno trattato. Penso che sia facile per noi criticare le persone quando ci influenzano negativamente, quindi ho pensato che fosse importante fermare tutto e ringraziarli per la cura che avuto di me. Soprattutto nel mondo in cui ci troviamo oggi, specialmente tra gli uomini, dove regna il machismo, è importante sottolineare gli atteggiamenti positivi.

C’è stata una battuta d’arresto per essere un uomo trans?
Il fatto che io sia un uomo trans ha dato visibilità, si è verificato un episodio in uno dei sondaggi. Una fanpage mise in discussione la disputa di un signore contro un altro. Tutti erano a torso nudo, solo a me era stata assegnata una foto della camicia. I miei amici erano ammattiti perché sapevano che avevo fatto la foto senza maglietta e hanno criticato la fanpage. Ma i funzionari si sono scusati e hanno detto di non sapere che ero un uomo trans. Da questo, le persone hanno iniziato a inviarmi messaggi di incoraggiamento, forza, affetto e motivazione. Sono andato in finale con tutto l’amore dei miei follower ed ero più rilassato. Sapevo che, a prescindere da qualsiasi critica venuta o se avessi perso quello che era successo, avrei comunque avuto l’affetto delle persone che facevano il tifo per me.

Anche il fatto che tu abbia sfilato senza una camicia e mostrato il tuo pettorale senza intervento chirurgico è stato molto commentato. È stato facile per te sfilare così?
È stata una grande sfida per me. La prima volta che sono stato senza maglietta in pubblico è stato il capodanno sulla spiaggia. Solo due persone mi guardarono, ma non c’era cosa “oh, quanto assurda”. La maggior parte lo ha preso in modo totalmente naturale. Dato che era il mio primo concorso, essere senza maglietta era ancora un po’ difficile. All’inizio mi vergognavo, ero nervoso, ma non c’era modo, dovevo far “suonare” il mio corpo. Anche perché la mia idea era quella di mostrare al concorso un altro tipo di bellezza, per dimostrare che noi transessuali siamo belli per quello che siamo, indipendentemente dall’intervento chirurgico. Nessuno ha bisogno di vergognarsi del corpo che ha.

Cosa hai pensato quando stavi sfilando?
Ero ansioso. Perché è una cosa per noi scattare una foto, sfilare solo per i giudici, ma quando vai in diretta sul canale YouTube, con un vasto pubblico che ti guarda, accidenti, è stato davvero qualcosa che mi ha reso nervoso. Ma dato che era lì, ho usato quella paura per superare me stesso. Sapevo che non sarebbe stato facile, ma non era lì solo per me. Quindi ho pensato di essere lì per tutti i ragazzi che hanno il sogno di togliersi le magliette in pubblico, scattare una foto o andare in spiaggia senza. Ero lì per loro. Ero anche con mia moglie, che ha una cicatrice per il cancro ormonale, e spesso non le piace mostrarsi quando va in spiaggia o in piscina. Stavo dimostrando che il nostro corpo è bello così com’è.

Ritieni che, oltre a una volontà individuale, ci siano quelli che ti fanno pressioni per un intervento al seno?
C’è un’imposizione e una pressione da parte della società, sì. A volte le persone chiedono “Oh, non hai intenzione di fare un intervento chirurgico per mascolinizzare più il tuo corpo?” “Non hai intenzione di fare body building per mascherare il tuo petto?” Ma se non hai un intervento chirurgico non sarai meno uomo. Sta a noi fermarci e riflettere: se sto bene con me stesso, questo è ciò che conta. Non discuto nemmeno e faccio parlare la persona. Voglio persino allenarmi perché mi è sempre piaciuto un corpo più muscoloso e per la salute, ma sto bene con il mio corpo.

Al momento non penso di voler fare un intervento chirurgico al torace, perché ho paura dell’idea di essere su un tavolo operatorio (ride). Mi piace così, ma ovviamente le opinioni cambiano e non so in seguito. In questo momento sto bene così come sono.

Com’è stato non raggiungere la TOP 6?
Ero arrabbiato, soprattutto perché non ero nemmeno arrivato alla TOP 12. Ho lavorato sodo, ho avuto settimane in cui mi sono persino ammalato cercando di conciliare tutto: college, lavoro e competizione. Ho fatto del mio meglio e del mio sangue. Per quanto non avessi fatto bene nella prima gara, nella seconda ero già molto meglio e mi stavo evolvendo molto. Sapevo già che non avrei vinto, perché sono basso, ma ero arrabbiato.

Roba da concorso di bellezza…
Ma credo che Dio abbia piani più grandi per me. Forse non ho vinto in passerella, ma ho vinto qualcosa di meglio, che è stato l’affetto di tutti. Parlando anche con te, per esempio, qualcosa che il signor Rio de Janeiro non ha vinto (ride). Ho anche cercato di assorbire molto per passare ad altri che vogliono partecipare.

Prima del concorso avevi già lavorato come modello, giusto?
Sono andato in un’agenzia perché ho sempre voluto essere un modello. È passato un anno da quando sono stato assunto, ma non lo considero un lavoro, perché non ho mai guadagnato nulla, non ho fatto alcun lavoro che si possa dire che sia un lavoro. A volte facciamo una piccola sfilata per un negozio di città, facciamo alcune foto e tutto il resto ma è solo divulgazione. Ma questa è un’idea che ho sempre avuto da quando ero un bambino: quando sono un uomo, voglio essere una copertina di una rivista, scattare foto. Oggi lavoro davvero come operatore Michelin. Sono il primo trans uomo a lavorare nell’industria sudamericana, quindi c’è molto da dire sulla Michelin.

Come sei diventato un operatore Michelin?
Quando ho inviato il mio curriculum, era ancora sotto il nome precedente. La mia fortuna è che, essendo molto carismatico, ho raccontato la mia situazione alle risorse umane, dicendo che volevo che le persone mi trattassero con il nome sociale maschile. E lei era disposta ad aiutarmi. Inizialmente, l’idea era di essere stato chiamato con il mio cognome, perché non avevo avviato la transizione. Quindi tutti mi hanno chiamato Rabello. Ma poi le persone delle risorse umane di Campo Grande sono venute a parlarmi, in modo che la società sapesse cosa poteva fare per rendere il posto di lavoro piacevole per me, in modo da non subire alcun tipo di pregiudizio.

Mi hanno dato tutto il supporto: hanno messo il nome sociale sul badge, su tutti i documenti visibili e in dicembre hanno rinnovato lo spogliatoio degli uomini in modo che potessi usarlo. Il pugilato era tutto aperto, gli uomini erano nudi, inondati senza una porta. Perché il mio viaggio fosse più comodo, dovevano mettere le porte e fare un lavoro per me da usare. A Gennaio mi sono unito allo spogliatoio degli uomini.

Come va il tuo lavoro lì?
Sono un operatore di produzione e turni. Ogni settimana sono in un momento diverso. Questa settimana lavoro dalle 8 alle 4, la settimana prossima sarò dalle 4 a mezzanotte, la prossima sarò da mezzanotte alle 8 e così via. Sono fuori ogni domenica. Non credo ci sia nulla di difficile nel mio lavoro. È stato facile capire gli uomini trans, dato che non c’erano altri esempi in città? Prima ho scoperto Thammy Miranda e poi quando ho capito che non ero contento del mio corpo. Sono dai 19 ai 20 anni. Sono andato da uno psicologo e lei ha parlato di altri uomini trans e ho visto che era tutto. Ma bisogna dire che quando pensiamo agli uomini, vediamo la voce, la barba, i capelli, ma ci sono molti uomini che non hanno nulla di tutto ciò, non possono sottoporsi a terapia ormonale anche a causa della salute e non sono meno uomini per quello. Per quanto ne so, sono il primo trans in città ad uscire allo scoperto. E molte persone vengono da me per fare domande, tanto che sono un fondatore del gruppo Diversidade de Resende. Penso che le donne trans e travestiti finiscano per apparire più nella militanza e nella politica, perché soffrono di più. Gli uomini trans, specialmente quelli che hanno la possibilità e la rettifica, non soffrono tanto quanto loro.

Hai mai subito transfobia?
Non direttamente. Nessuno mi ha mai fermato per attaccare e offendermi. Ho sofferto molto quando sono diventata lesbica. Ero nella scuola suore e alle ragazze non piaceva usare lo stesso bagno mio, non volevano lavorare con me, non volevano parlare con me. Sono stato molto escluso. Quando mi sono tagliato i capelli molto corti, ho sofferto molto. Passavo per strada e la gente mi prendeva in giro: “Ragazzo o ragazza?” Ho sofferto molto.

Oggi esci. Come vi siete conosciuti?
Ci conosciamo dalla scuola, ma non abbiamo mai parlato. Mentre ci avvicinavamo, ero all’inizio della mia transizione, ma lei mi stava già guardando prima della transizione. Mi sostiene in tutto, proprio come io la sostengo.

Anche i tuoi genitori ti supportano?
Trovano incredibile vedere fino a che punto sono arrivato e cosa sto ottenendo. I miei genitori vedono tutto con orgoglio.

Vuoi partecipare ad altri concorsi e perseguire una carriera artistica?
Ho intenzione. Volevo riposare un po’ la testa, perché ho davvero passato molto, ma voglio tornare indietro concentrandomi sull’allenamento, perseguire una carriera come modello o attore. Voglio finire il college di educazione fisica e chi sa di essere un futuro educatore fisico. Al momento sono apparso in molte collaborazioni, un’agenzia di modelli di Rio de Janeiro mi ha contattato. Queste sono opportunità che voglio afferrare e chiudere queste partnership. Voglio vedere se funzionerà, e se non si tratta di nulla, almeno ci ho provato. Se sarà, sarà. Siamo in grado di essere quello che vogliamo essere. Tutto ciò di cui abbiamo bisogno è forza e unità. Insieme siamo più forti.

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