Quando uma pessoa está gravida ou vai adotar uma criança, é comum que perguntem: “É menino ou menina?”. E mediante a resposta, que para a sociedade está entre as pernas, escolhem o nome, as cores, as roupas, os brinquedos e até os parceiros por meio desta definição, sem se questionar ou sequer perguntar sobre outras possibilidades.

Na vida prática, muita gente se vê contemplada pelo modelo imposto. Porém há muitas outras que não correspondem e não se encaixam na expectativa de gênero atribuído no nascimento. E, mais, com o tempo revela ser travesti, mulher transexual, homem trans, mulher trans, pessoa não-binária…
Em muitos lares brasileiros, muitas famílias agridem, discriminam e expulsam seus filhos e filhas. O motivador é a transfobia naturalizada pela falta de informação ou até mesmo pela religião. Em outros, há uma aceitação com ressalvas. Porém há casos – e esses devem ser levados como inspiração – que a receita do respeito, do amor, da busca pela informação e do acolhimento funcionam.

No Dia Das Mães, comemorado neste domingo (14), trazemos depoimentos de mães falando sobre seus filhos e filhas trans. E da relação positiva que construíram ao longo de suas vidas. A reportagem visa inspirar e responder as perguntas, sobretudo a clássica “Meu filho é trans: e agora?”, que recebemos de pais e mães cis que pela primeira vez lidam com a questão trans dentro de casa.

Que os relatos a seguir toquem corações e transformem vidas…

“Ela nasceu para ser assim e só está vivendo a vida dela”
Antonia Moura de Souza, 81 anos, mãe de Bianca Moura de Souza

“Bianca é uma filha muito querida, obediente e corajosa. Fico o tempo todo na companhia dela aqui em Brasília. Tenho oito filhos, amo todos iguais, mas é dela que escolhi ficar perto. Notei que a Bianca era diferente dos irmãos desde criança, quando o pai dela dava uma bola e ela não gostava. Ela também só andava com as mulheres e as pessoas comentavam que ela era ‘fresco’. Eu dizia: ‘cada um vive a sua vida da maneira que quer’. E ao mesmo tempo pensava: ‘Será que minha filha vai ser mulher?’.

Eu notava que as mães de outros colegas dela brigavam, batiam, mas eu só dizia: ‘Vou deixar que o tempo diga. Seja feita a vontade do senhor Jesus Cristo’. Quando ela me contou, a minha preocupação foi só que os irmãos a aceitassem e não tivessem preconceito. Mas como eu ensinei todos a serem unidos, todos a respeitam e sentem orgulho. Tanto que mandam os filhos, meus netos, do Maranhão para cá.

Penso que ela está cumprindo a maneira que ela foi predestinada a nascer. Ela nasceu para ser assim e está vivendo a vida dela. Nunca tive vergonha. Tenho é prazer de andar com ela, de estar na companhia dela, me sinto feliz e quero que ela seja feliz. Quando ela falou que iria mudar o nome, eu falei ‘pode mudar, eu aceito’. Também aceitei um genro, que já se foi. Minhas amigas dizem: ‘Será que essa senhora é doida?’. Jamais.

Estou com 81 anos completos e sou muito orgulhosa, lúcida e feliz pelos meus filhos. Dentre eles, a Bianca. Neste Dia das Mães, vamos passar juntas na casa da minha irmã, que tem 100 anos”.

“Sabia que precisaria amar ainda mais a minha filha”
Rosiris Silva Fiore, 54 anos, mãe da Jade Naiad Silva Fiore

“Ter uma filha trans me ensinou muito sobre a vida. Até então, a gente vai vivendo no automático, tem marido, filhos… De repente, algo muda e você tem que repensar tudo. É um aprendizado muito grande, como se eu tivesse acordado para a vida, percebendo ao mesmo tempo que essa situação não é ruim.

Ela tinha uns 12 anos quando começou a fazer a mudança. Ela foi falando, foi mudando e estava com medo que eu fosse brigar, bater. Mas eu falei: ‘não tem nada a ver, eu aceito’. A gente fica um meio chocada, mas o amor não faz mudar nada. É minha filha, é minha vida, Deus me deu ela para cuidar e não é por ela ser trans que vou fazer como muitos pais, que colocam para fora.

Sempre tive a consciência de que o amor supera tudo, quis ela do meu lado, em casa e sempre dei conselhos. Sou feliz do jeito que ela é, ela é feliz do jeito que é e eu quero que ela se dê bem na vida. Só penso muito nas violências que ela pode sofrer. Não só a física, mas também a violência emocional, que é de procurar um emprego, a pessoa dizer que não está precisando e, ao virar as costas, contratar outra. Sinto muito medo e é por isso que digo que os pais devem amar ainda mais essa filha ou filho trans.
Em casa, tenho uma filha muito amorosa, companheira e que está sempre do meu lado. Quando ela vê que eu estou chateada, vem perguntar se está tudo bem, me dá conselhos. Mesmo sendo filha, é ela quem me dá conselhos. Neste Dia Das Mães a gente vai passar na casa da minha mãe”.

“Descobri um mundo novo, lindo e normal”
Cassiana Sousa Alonso, mãe de Alice Sousa Alonso

“Pensava que a minha capacidade de amar era limitada, mas depois que veio a Alice eu descobri que a minha capacidade de amar é enorme, gigante, sem fim. Minha filha me chamou e me mostrou um vídeo de uma trans e eu fiquei muito confusa, senti medo. Então, ela disse que ela também era assim e eu, sinceramente, fiquei muito mal. Não sabia o que era, não sabia como agir, o que fazer. Chorei muito, dia e noite, foram semanas difíceis. Eu sofria e sofria também por ela.

O que me ajudou e me fortaleceu foi a minha mãe, a avó da Alice. A aceitação da minha mãe e a maneira positiva como ela reagiu diante disso tudo foi o que me ajudou. Aí fui pesquisar a respeito, estudar e aprender a lidar com a situação. Não foi fácil para mim e nem para ela. Mas comecei a mudar todos os meus conceitos sobre a vida. Era um mundo novo que se abria perante a mim. Minha família aceitou, Alice foi acolhida, fomos acolhidas.

A minha filha é o melhor presente de Deus, meu bem maior, meu desafio, minha força, meu motivo para acordar todos os dias e ir à luta, meu dengo, meu docinho. É minha amiga, inteligente, cuidadosa. Me sinto a menina dos olhos de Deus, pois ele confiou aos meus cuidados Alice. Ele me achou capaz de amá-la incondicionalmente, cuidar, proteger, amparar e enfrentar junto dela todos os percalços da vida.

Meu conselho aos pais que estão diante desse presente na vida é: ame, ame, ame muito. E descubra a maravilha que é ter filhos e filhas trans. Liberte-se das algemas do preconceito, da sociedade e todo o resto. É sua, somente sua, a responsabilidade de fazer o seu melhor pelos seus filhos trans. Descubram que a capacidade de amar é gigante e capaz de trazer a paz, a segurança e de fazê-los felizes. Assim como eu, descubram um mundo novo, lindo, e NORMAL.

“Meu aprendizado foi entender o real sentido da palavra respeito”
Valquiria Aparecida Loureiro, 46 anos, mãe de Victor Yoshimi

“Desde pequeno o Victor sempre demonstrou interesse por tudo que era masculino, roupas, sapatos, brinquedos, os melhores amigos eram meninos… Nunca foi recriminado por isso, jamais impus a ele que se comportasse como menina… Mostrava as opções e ele decidia. Na adolescência ele se assumiu lésbica, e foi só uma questão de adaptação. Sempre acolhi e recebi as namoradas dele com todo respeito e carinho. Tenho até hoje amizade com a maioria delas, que foram muitas.

O tempo foi passando e ele estava cada vez mais masculino nos trejeitos, nas vestimentas, mas também insatisfeito com algo que não sabia explicar. Por várias vezes temi a depressão. Mas foi a cerca de três anos atrás que ele me disse que havia se encontrado de verdade e que era um homem trans. Eu não fazia ideia do que era isso, e ele me explicou tudo. Fui pesquisar, passei a me interessar pelo assunto e descobri um mundo à parte!

Não fiquei chocada, na verdade só preocupada com os tratamentos hormonais, cirurgia , enfim… Mais um capítulo estava sendo escrito na história de vida do meu filho. E o meu aprendizado foi entender o real sentido da palavra respeito. O mais difícil foi conseguir chamá-lo pelo nome social… Demorou uns meses, dei umas vaciladas, mas me esforcei bastante pois sentia que era importante para ele.

Victor é um filho carinhoso, respeitador, amigo, humilde, compreensivo e sedutor. Mas a principal qualidade é cozinhar muito bem. E é na cozinha que colocamos o papo em dia, nos aproximamos, resolvamos os problemas, trocamos ideias, cozinhamos juntos. Aliás, adoramos receber amigos para jantar. Hoje, ele está casado com a Lea, minha nora linda, que também é trans! Estou super feliz com o relacionamento, pois eles são pessoas do bem, e é disso que precisamos!

Dica aos pais de filhos trans? Fechem os olhos e lembrem-se do dia em que receberam a notícia de que estavam grávidos! A sensação, emoção que tomou conta de vocês! Era muito amor envolvido, muitos planos…. E na hora do nascimento vocês tiveram a certeza de que não existia amor maior! Por isso eu peço que não deixem a identidade de gênero do seu filho reduzir esse amor. O amor de mãe é aquele que acolhe, mima, pega no colo e dá puxões de orelha. Mas acima de tudo aceita o filho do jeito que Deus nos deu. Procurem ler, se informar, conversar com outros pais que já passaram pela mesma situação, as ideias irão clarear.

Jamais maltrate seu filho, xingue, ofenda, agridam e não deixem que o façam! Seu filho precisa de vocês! Ame-o sem vergonha, livre-se dos preconceitos, enfrente a sociedade e exerça o seu real papel, sejam pais e mães!!! O mundo já tem violência demais, vamos amar nossos filhos! Minha maior preocupação é a violência que nossos filhos enfrentam, a que virou moda, a falta de apoio do judiciário em reconhecer esses casos e enquadrá-los como crime e se fazer justiça! Choro com as mães que perdem seus filhos, e que não são poucas! Por isso você que tem o seu filho perto de você, abrace, ame com toda sua força!

“Fui me orientar para que tudo fosse o mais natural possível”
Regina Augusta Rui, 56 anos, mãe de Wallace Ruy


“Eu não sabia o que era mulher trans até os 18 anos da Wallace, quando ela foi para a faculdade e a vestimenta foi mudando aos poucos. Nunca nem tinha ouvido essa palavra. Trans para mim era algo muito novo. Mas não tive problema quanto a aceitação. Foi tudo muito natural, talvez por conta do nosso amor. Somos muito ligadas, coisa de alma mesmo.

Quando soube, fui orientando ela nas vestimentas, nos cabelos (risos), já que sempre cuidei do visual dela. Sempre com muito carinho, também fui me orientando para que tudo fosse o mais natural possível. Afinal, filhas trans são filhas, seres humanos e temos que amá-las, simples assim.
Mesmo tendo vivido por anos longe dela, fui muito presente. É uma filha impecável, estudiosa e de um caráter que conheço poucos. Tudo que faz é puro estudo de uma visibilidade inabalável, vocabulário indiscutível, fé no universo e poder da luz. Eu e ela somos almas gêmeas, com certeza, sou capaz de sentir tudo o que ela sente. É incrível a nossa conexão.

Desde então, tenho tido muitos aprendizados. É maravilhoso aprender todos os dias com minha amada Wallace Ruy. Chega a ser engraçado. Sabe aquele ditado que a gente aprende com os pais? Eu aprendi com ela tudo que sei hoje. É por isso que digo que nós, pais e mães, também temos que ser inconformistas de todas e quaisquer abusos e brutalidades contra nossas filhas e filhos. Esse ano passarei o Dia das Mães com minha amada filha”.

“Graças a Deus meu filho é trans
Maria Aparecida da Silva, 51 anos, mãe do Kauan Fernando da Silva Gaspar

“Graças a Deus meu filho é trans. Temos que agradecer por ter a oportunidade de ser mãe de trans, porque não é para qualquer uma não. Criar um filho trans é para mães fortes e com sabedoria. Mas nem sempre soube dessa palavra ‘trans’”.
Achava que tinha uma filha que gostava de mulher, o que para mim não era nenhum problema. Mas o tempo foi passando e Kauan ficou muito nervoso, irresponsável e não conseguimos conversar mais. Fiquei chateada, porque minha vida sempre foi ele. Foi quando ele teve o AVC, devidos aos hormônios que estava tomando por conta própria, e quase morreu.

Fiquei sem chão, entrei em desespero e fiquei procurando ajuda de psicólogos. Uma neurologista falou que existia um tratamento para esse caso, foi então que fomos atrás. Se soubesse antes teria ajudado há muito tempo.
Depois, ele se tornou outra pessoa, sobretudo depois da cirurgia que masculiniza o peitoral. Ficou muito mais feliz, com a autoestima elevada, está cuidando da minha mãe enquanto estou trabalhando. Kauan é muito carinhoso, se preocupa comigo e me ajuda a resolver meus problemas.

Como toda família, tivemos que ir adaptando com a nova identidade do Kauan. Minha mãe, a avó dele, fala direitinho o nome dele e, quando erra, diz: ‘Me desculpa, Kauan, é que eu esqueço’. Hoje, faço parte do Mães Pela Diversidade, que me ajudou muito. Posso dizer que sou uma mãe plenamente realizada e feliz com meu filho. Se Deus quiser vamos preparar um lindo almoço de família com ele junto”.

“O importante foi acolher e dizer que não soltaria da mão dele”
Solange Martins Meira Damico, 45 anos, mãe de João Felipe Meira Damico

“Quando João tinha 14 anos, entrei no banheiro e ele estava chorando e olhando no espelho. A princípio, eu achava que meu filho era uma menina que gostava de meninas, mas com o passar do tempo vi que não era isso. Naquele dia, perguntei: ‘Por que você está chorando tanto assim?’. E ele disse: ‘Não me sinto uma menina, eu me sinto homem, gosto de ser homem. Falei simplesmente: ‘engole esse choro, levanta essa cabeça, porque você não deve satisfação para ninguém. E pronto, a partir de hoje você vai ser menino”.

Perguntei: ‘Qual é o nome que você quer?’. Ele falou João Felipe. E curiosamente Felipe é o nome que eu chamava ele desde o ventre. Não me importei com o que os outros poderiam pensar e não entendia nada sobre ser trans. O importante naquele momento era acolhê-lo, dizer que estamos juntos e que não iria soltar da mão dele. E é assim até hoje.

Meu filho é companheiro, amigo, trabalhador, honrado e somos um o alicerce do outro. Ser mãe do João é uma dádiva, é um presente. Se ele fosse diferente do que é, eu devolveria porque veio com defeito de fábrica (risos). O que quero dizer é que não quero que ele perca a essência. Só é doloroso quando vejo exemplo de filhos que são açoitados e assassinados nas ruas. Porque ninguém pediu para ser assim, porque ser LGBT não é crime e não é defeito. Anormal é quem pensa diferente.

Digo para os pais de filhos LGBTs que abracem seus filhos, deem amor, carinho e proteção. Porque se você não protegê-los, o mundo não vai proteger. E se você der tudo isso, pode ter certeza que ele vai ser grato pelo resto da vida. Feliz dias das Mães, em especial às mães que assim como eu tem o privilégio de ter filhos LGBTs”.

“É seu filho e você só tem que amar”
Vera Farias, 48 anos, mãe do Johi Farias

“Johi se descobriu por meio de um documentário e pediu para que eu assistisse também. Tudo começou a fazer sentido. No começo, eu achava que ele só gostava de meninas, mas ele ficava muito irritado quando perguntava se era lésbica. Ele dizia: ‘não’. Como eu não tinha ideia do que era ser trans, eu achava que ele estava mentindo. Após esse documentário, começamos a nos entender.

Sempre dei acolhimento e jamais em hipótese alguma pensei em por meu filho para fora. Ele é meu, foi Deus quem me deu de presente. E Johi é amoroso, preocupado com as pessoas, gosta de ajudar, é honesto e, para mim, o principal: sei que ele também me ama. Tive problemas em minha vida e, mesmo ele sendo prejudicado, ele está mostrando o braço forte e o coração puro para mim. Ele sabe ser meigo, mas também sabe ser forte quando preciso.

Acho que quando os pais dizem ‘Meu filho é trans, e agora?’, eles estão dizendo que querem entender seu filho. Porque de repente alguém diz que aquele médico que fez seu parto é doido e que você não tem uma filha, mas um filho e você quer entender. Tudo fica confuso, mas os pais na sua sabedoria e obediência à Deus de amar o seu próximo vão entender que não é uma maldição. É apenas seu filho ou filha e que você só tem que amar.

As pessoas sempre dizem: ‘Filhos, aproveitem seus pais, pois depois que perderem já era’. Mas eu digo: ‘Pais, aproveitem e amem seus filhos incondicionalmente enquanto vocês os têm, pois se os perderem vão sofrer muito’. Para mim, a experiência de ser mãe de um homem trans é deixar de ter preconceitos e saber que meu Johi é lindo, é maravilhoso e que gostaria que outras mães de filhos e filhas trans entendessem isso.

“Eu estou feliz se ela está feliz”
Vera Lúcia de Oliveira Roriz, mãe da Ana Victória

“Minha filha mesma me explicou tudo sobre ser trans. Fiquei sabendo por ela, mas para a Ana Victória foi um pouco difícil contar, se desesperou, mas não tinha necessidade. É lógico que fiquei surpresa ao ouvir a notícia, mas sempre tive a cabeça aberta para todas as situações possíveis. Se ela está feliz eu também estou e respeito a vida dela.

Primeiro, ela veio contar que estava namorando o Ivan e eu quis conversar com ele, pois ele estava preocupado e eu senti que ele precisava saber que eu não era contra. Com o tempo, aprendi que quando queremos fazer algo que não fere a integridade de outras pessoas, podemos tudo. E que não temos que sequer aceitar aquilo que faz bem aos nossos filhos. Sempre disse: só não vou aceitar que roubem e que se envolvam com drogas.

Quando ela saiu de casa, fiquei perdida. Ela é a pessoa que me ouve, troca opiniões, é minha confidente. Minha filha é minha companheira, forte e é muito sensível. É coisa de outra vida, se é que me entende. Tenho muito orgulho dela em todos os aspectos. Aprendi, por exemplo, a ter mais segurança quando tenho que fazer alguma coisa que acho ser impossível. Gostaria de dizer que gostaria de ser mais presente na vida dela e para meu genro que estamos prontas para acolhê-lo. Amo minha filha e meu genro. Neste Dia das Mães vamos passar juntas, sim, com muito amor envolvido.”.

“Parecia ser o começo de uma vida mais plena e menos sofrida”
Adriana Valadares Sampaio, 47 anos, mãe de Victor Valadares Summers

“Em minha infância no RJ, havia uma mulher trans que morava próximo da minha casa. Aliás, referência de gentileza e educação. Mas não conhecia literatura ou teorias sobre transgeneridade. Victor foi quem me trouxe a questão ainda aos 16 anos. Depois de muitos anos de processos depressivos, ele conversou comigo sobre se sentir e se identificar como um rapaz. Imediatamente tudo pareceu fazer sentido, todo o comportamento dele desde pequeno.

Tive muito medo de como ele poderia ser atacado por terceiros, em como eu faria para protege-lo… Então resolvi ler, me aprofundar no tema. Eu não vi em momento algum, como negativo. Ele finalmente compreender seus processos internos e se entender como sujeito no mundo pareceria ser o começo de uma vida mais plena e menos sofrida.

Meu filho sempre foi uma pessoa forte e determinada. Eu tenho muito orgulho de quem ele é. Ele é empático, não se paralisa diante de problemas e injustiças. É comum sentarmos num café e perdermos a hora trocando ideias sobre variados temas e eu aprendo muito com ele. Por meio dele, abracei causas que viviam latentes em mim, me posicionei de modo mais militante no feminismo, no ativismo por direitos animais e por causas LGBTs. Sempre que posso dou palestras, vou às rodas de conversa ou simplesmente armo o barraco defendendo alguma travesti ou alguém em situação de exposição ou chacota por ser LGBT.

Vou passar o Dia das Mães com meus três filhos, mas particularmente não gosto dessas datas inventadas visando comércio. Por isso, troco presentes por programas culturais, por um bolinho com café e conversa jogada fora”.

Dica aos pais de filhos trans? Não me considero uma boa pessoa para orientar pais no processo de aceitação. Isso me colocaria numa posição de ‘modelo’ e as pessoas têm vivências distintas e camadas de subjetividades só suas. Mas basicamente diria duas coisas: busque conhecimento. É muito fácil demonizar o que não conhecemos. Nossos filhos não precisam ser ou seguir o que queremos ou esperamos deles. Eles são indivíduos, não nossas extensões e muito menos ‘coisas’ nossas. E outra é deixar o afeto prevalecer. A alteridade de gênero (ou a indefinição) não destitui o filho da categoria de filho. Para onde vai o afeto que sempre se explicitou? Para onde vai o amor delicado? Você ama seu filho enquanto pessoa ou enquanto expectativa? Simplesmente ame.

Por fim, eu gostaria de dizer aos pais que se apoiam em religiões para se defenderem e não aceitarem seus filhos, que vocês não são nem de longe, pessoas religiosas. Livros sagrados foram escritos por humanos, notadamente homens que propagavam o ideal machista patriarcal de “normalidade”. Toda leitura deve ser cuidadosa e levar em conta a época e a cultura do período em que foi escrita. Não vale fazer leitura seletiva. Citar o antigo testamento para condenar relacionamentos homoafetivos mas comer mariscos e usar dois tecidos diferentes na mesma vestimenta, é hipocrisia. Isso não é religiosidade. É usar a religião como escudo para esconder seu medo e seu ódio. Seu lugar não é numa igreja, mas num divã”.

“Me tornei uma Mãe pela Diversidade e ganhei vários filhos”
Paula Ramos, 47 anos, mãe do Dylan Belo

“O processo de transformação do Dylan foi confuso para mim, porque não conhecia o que era ser homem trans. Para mim ou era hétero ou lésbica (risos). Sem nenhum problema em ser lésbica, pois sempre tive a cabeça aberta e vivi rodeada de amigos gays e há muitas pessoas na família. Mas ser trans me soava novo.

Quando ele chegou e disse que estava no corpo errado e que estava muito mal, achei que estivesse passando por algum problema psicológico. Pois percebia atitudes de depressão e isolamento. Buscamos ajuda, mas nenhum profissional entendia o caso. A relação ficou bastante complicada, porque não conseguia aceitar e, de quebra, era hostilizada pelo mesmo por trata-lo pelo feminino e não o ajudar.

Eu sofria de ver o sofrimento e isso estava acabando comigo. Não dormia mais e perdi o foco no trabalho. Não sabia o que fazer. Só sabia que precisava fazer algo, que não poderia ficar parada esperando algo de pior acontecer. Tinha medo que se matasse, que algo acontecesse nas ruas ou de perder para o mundo. Foi quando através de uma amiga conheci o coletivo Mães Pela Diversidade. Foi enviado por Deus.

Nele conheci pessoas que me entendiam e que passavam pela mesma história e pude entender, compartilhar. Eu não estava mais sozinha. Hoje, eu aceito e busco entender e ajuda-lo. Ainda vivendo o luto pela transição e acostumando que eu tenho um belo rapaz em casa agora. Mas continua sendo aquele ser que eu gerei com muito amor e alegria. Uma pessoa carinhosa, cuidadosa, que tem um coração enorme com muito amor para dar. E que estava me pedindo socorro. Agora, estou aqui do lado dele para o que der e vier.

Estou aqui para amar, proteger e cuidar, como ele fez comigo quando fiz uma cirurgia de grande porte e cuidou de mim, como se eu fosse sua filha. Hoje até me surpreendo porque me vejo militante da causa. Sou uma mãe pela diversidade e me vejo na obrigação de lutar por um mundo melhor, onde ele possa viver dignamente com respeito das pessoas. Porque não quero que o machuquem e que nada de mal lhe aconteça. É meu filho e ninguém toca. Agora, ganhei vários filhos pela diversidade. Muitos deles com a carência do abandono dos seus pais.

Recadinho para os pais: Busquem entender seus filhos. Busquem ajuda, não desistam deles, não permita que o mundo lá fora corrompa a essência deles. Saiam da caixinha. Eles precisam ainda mais de nós. Se vocês estiveram juntos, e vai fazer com que eles se sintam mais fortes e mais felizes. E tudo que os pais sonham para seus filhos é isso, não é?”

***
Le madri delle figlie e dei figli maschi parlano di come l’amore, il rispetto e il sostegno hanno trasformato le loro vite.
Quando una persona è incinta o sta adottando un bambino, viene spesso chiesto: “È un maschio o una femmina?“. E attraverso la risposta, che per la società, scegli il nome, i colori, i vestiti, i giocattoli e persino i partner, senza mettere in discussione o anche chiedendo altre possibilità.
Nella vita pratica, molte persone si trovano contemplate dal modello imposto. Ma ce ne sono molti altri che non corrispondono alle aspettative di genere assegnate alla nascita. E, nel tempo, si rivelano una donna travestita, transgender, transessuale, non binaria.
In molte case brasiliane, molte famiglie attaccano, discriminano e cacciano i loro figli e figlie. Il motivo è la transfobia naturalizzata a causa della mancanza di informazioni o persino la religione. In altri, c’è un’accettazione ammonitrice. Ma ci sono casi – e questi dovrebbero essere presi come ispirazione – in cui la ricetta per il rispetto, l’amore, la ricerca di informazioni e il lavoro la fanno da padroni.

In occasione della festa della mamma, celebrata questa domenica 14, portiamo testimonianze di madri che parlano dei loro figli e figlie. E la relazione positiva che hanno costruito durante la loro vita. L’articolo mira a ispirare e rispondere alle domande, in particolare il classico “Mio figlio è trans: che faccio ora?” che abbiamo ricevuto dai padri cis.
Possano i seguenti resoconti toccare i cuori e trasformare le vite…

“È nata per essere così e vive solo la sua vita” Antonia Moura de Souza, 81 anni, madre di Bianca Moura de Souza

“Bianca è una figlia molto cara, ubbidiente e coraggiosa. Resto con lei tutto il tempo qui a Brasilia. Ho otto figli, li amo tutti uguali, ma è lì che ho scelto di stare vicino. Ho notato che Bianca era diversa dai fratelli fin dall’infanzia, quando suo padre le ha dato una palla e non le piaceva. Quando uscivamo, la gente diceva che era “bella”. Ho detto: “ognuno vive la propria vita come vuole”. E allo stesso tempo stavo pensando: “Mia figlia sarà una donna?”. Ho notato che le madri degli altri colleghi hanno combattuto, picchiato, ma ho detto: “Lascerò che il tempo te lo dica. La volontà del Signore Gesù Cristo è fatta”. Quando me lo disse, la mia preoccupazione era solo che i fratelli l’avrebbero accettata e non avrebbero avuto pregiudizi. Ma ho insegnato a tutti a essere uniti, tutti si rispettano e sono orgogliosi. Tanto che mandano qui i loro figli, i miei nipoti, da Maranhão. Penso che stia soddisfacendo il modo in cui è stata predestinata a nascere. È nata per essere così e sta vivendo la sua vita. Non mi vergogno mai. Sono contenta di essere in sua compagnia, mi sento felice e voglio che sia felice. Quando ha detto che avrebbe cambiato il nome, ho detto “cambialo, accetto”. Ho anche accettato un genero, che è già sparito. I miei amici dicono: “Questa signora è pazza?” Mai. Ho 81 anni e sono molto orgogliosa, lucida e felice per i miei figli. Tra questi, Bianca. Questa festa della mamma, la passeremo insieme a casa di mia sorella, che ha 100 anni”.

“Sapevo che avrei dovuto amare ancora di più mia figlia”
Rosiris Silva Fiore, 54 anni, madre di Jade Naiad Silva Fiore

“Avere una figlia trans mi ha insegnato molto sulla vita. Fino ad allora, viviamo in automatico, abbiamo marito, figli. Improvvisamente, qualcosa cambia e devi ripensare tutto. È una grande esperienza di apprendimento, come se mi fossi risvegliata alla vita, realizzando allo stesso tempo che questa situazione non è male.
Aveva circa 12 anni quando ha iniziato a fare il cambiamento. Stava parlando, stava cambiando e aveva paura che l’avrei combattuta, picchiata. Ma ho detto: “non ha nulla a che fare, accetto”. Siamo un po’ scioccati, ma l’amore non cambia. È mia figlia, è la mia vita, Dio mi ha dato di cui occuparmi e non è perché è trans che farò come molti genitori, cacciandola.
Sono sempre stata consapevole che l’amore supera tutto, l’ho voluta al mio fianco, a casa e ho sempre dato consigli. Sono felice di com’è, è felice e voglio che vada d’accordo nella vita. Penso solo molto alla violenza che può subire. Non solo la violenza fisica, ma anche quella emotiva, che sta cercando un lavoro, molti non assumono e voltano le spalle. Ho tanta paura ed è per questo che dico che i genitori dovrebbero amare ancora di più i figli trans.
A casa ho una figlia molto affettuosa, che è sempre al mio fianco. Quando vede che sono arrabbiata, viene a chiedermi come sta e anche da figlia mi dà consigli. La festa della mamma la passeremo a casa di mia madre”.

“Ho scoperto un mondo nuovo, bello e normale”
Cassiana Sousa Alonso, madre di Alice Sousa Alonso

“Pensavo che la mia capacità di amare fosse limitata, ma dopo Alice ho scoperto che la mia capacità di amare è enorme, gigantesca, senza fine. Mia figlia mi ha chiamato e mi ha mostrato un video di una trans ed ero molto confusa, avevo paura. Quindi ha detto che anche lei era così e, onestamente, sono diventata davvero cattiva. Non sapevo cosa fosse, non sapevo cosa dire, cosa fare. Ho pianto molto, giorno e notte, sono state settimane difficili. Ho sofferto e sofferto anche per lei.
Ciò che mi ha aiutato e rafforzato è stata mia madre, la nonna di Alice. L’accettazione di mia madre e il modo in cui ha reagito a tutto ciò mi hanno aiutato. Poi sono andata a fare delle ricerche a riguardo, ho imparato a gestire la situazione. Non è stato facile per me o per lei. Ma ho iniziato a cambiare tutti i miei concetti sulla vita. Era un nuovo mondo che si apriva davanti a me. La mia famiglia ha accettato, Alice è stata accolta, siamo stati accolti.

Mia figlia è il miglior dono di Dio, il mio più grande bene, la mia sfida, la mia forza, la mia ragione per svegliarmi ogni giorno e andare a combattere, il mio tesoro. È mia amica, è intelligente, attenta. Mi sento ragazza agli occhi di Dio, perché si fidava delle mie cure Alice. Mi ha trovato in grado di amarla incondizionatamente, prendendomi cura, proteggendola, sostenendola e affrontandol con lei tutti i problemi della vita.
Il mio consiglio ai genitori che affrontano questo dono nella vita è: amare molto. E scopri la meraviglia di avere figli e figlie. Liberati dalle catene del pregiudizio, dalla società e da tutto il resto. È tua, solo tua, la responsabilità di fare del tuo meglio per i tuoi bambini trans. Scopri che la capacità di amare è enorme e capace di portare pace, sicurezza e renderli felici. Proprio come me, scopri un nuovo, bellissimo, NORMALE mondo.

“Il mio apprendimento era capire il vero significato della parola rispetto”
Valquiria Aparecida Loureiro, 46 ​​anni, madre di Victor Yoshimi

“Da giovane Victor ha sempre mostrato interesse per tutto ciò che era maschio, vestiti, scarpe, giocattoli, i migliori amici erano ragazzi . Non è mai stato incolpato per questo, non l’ho mai costretto a comportarsi come una ragazza. Ha avuto le possibilità e ha deciso. Da adolescente divenne una lesbica, ed era solo una questione di adattamento. Ho sempre accolto e ricevuto le sue amiche con tutto il rispetto e l’affetto. Ho ancora amicizia con la maggior parte di loro, che erano molte.
Il tempo passava ed era sempre più maschile nei suoi modi, nel suo vestire, ma anche insoddisfatto di qualcosa che non riusciva a spiegare. Più volte ho temuto la depressione. Ma è stato circa tre anni fa che mi ha detto che si era effettivamente capito ed era un uomo transessuale. Non avevo idea di cosa fosse, e mi ha spiegato tutto. Mi sono interessata all’argomento e ho scoperto un mondo a parte!
Non ero scioccata, ero preoccupata solo per i trattamenti ormonali, la chirurgia, comunque…un altro capitolo era stato scritto nella storia della vita di mio figlio. E il mio insegnamento era capire il vero significato della parola rispetto. La cosa più difficile è stato convincermi a chiamarlo con il suo nome sociale … Ci sono voluti alcuni mesi, ho esitato, ma ci ho provato molto perché sentivo che era importante per lui.
Victor è un figlio amorevole, rispettoso, amico, umile, comprensivo. Ma la qualità principale è che cucina molto bene. Ed è in cucina che ci ritroviamo, ci avviciniamo, risolviamo problemi, scambiamo idee, cuciniamo insieme. A proposito, adoriamo avere amici per cena. Oggi è sposato con Lea, la mia bellissima nuora, che è anche trans! Sono molto contenta della relazione, sono brave persone ed è quello di cui abbiamo bisogno!

Un suggerimento per i genitori di bambini trans? Chiudi gli occhi e ricorda il giorno in cui hai ricevuto la notizia di essere incinta! La sensazione, l’emozione che ti ha investito! C’era molto amore, molti piani. Ecco perché ti chiedo di non lasciare che l’identità di genere di tuo figlio riduca questo amore. L’amore della mamma è quello che accoglie, coccola, raccoglie. Ma soprattutto accetta il bambino come Dio ci ha dato. Prova a leggere, informarti, parlare con altri genitori che hanno vissuto la stessa situazione, le idee verranno chiarite. Non maltrattare mai tuo figlio, imprecare, offendere, battere e non lasciarlo! Tuo figlio ha bisogno di te! Amalo senza vergogna, sbarazzati del pregiudizio, affronta la società e gioca il suo vero ruolo, sii genitore! Il mondo ha già troppa violenza, amiamo i nostri figli! La mia più grande preoccupazione è la violenza che i nostri figli affrontano, la transfobia che è diventata di moda, la mancanza di sostegno da parte della magistratura nel riconoscere questi casi e nel definirli come un crimine e nel rendere giustizia! Piango con le madri che perdono i loro figli e non sono poche! Ecco, se tu che hai tuo figlio vicino a te, abbraccialo, amalo con tutte le tue forze!

“Ho cercato che tutto fosse il più naturale possibile”
Regina Augusta Rui, 56 anni, madre di Wallace Ruy

“Non sapevo cosa fosse una donna trans fino a quando Wallace non compì 18 anni, quando andò al college e i suoi vestiti cambiarono a poco a poco. Non avevo mai nemmeno sentito quella parola. Trans per me era qualcosa di molto nuovo. Ma non ho avuto problemi ad accettarlo. Era tutto molto naturale, forse a causa del nostro amore. Siamo una cosa molto connessa, molto sentimentale.

La guidavo nella scelta dei vestiti, i suoi capelli (ride), dato che mi sono sempre presa cura del suo aspetto. Sempre con grande affetto, mi sono anche orientata in modo che tutto fosse il più naturale possibile. Dopotutto, le figlie trans sono figlie, esseri umani e dobbiamo amarli, così semplice.
Anche se ho vissuto per anni lontano da lei, ero molto presente. È una figlia impeccabile, studiosa. Tutto ciò che fa è puro studio della visibilità incrollabile, del vocabolario indiscutibile, della fede nell’universo e del potere della luce. Lei e io siamo anime gemelle, di sicuro, posso sentire tutto ciò che sente. È incredibile la nostra connessione.

Da allora ho imparato molto. È meraviglioso imparare ogni giorno dalla mio amato Wallace Ruy. Diventa divertente. Sai che si dice che impariamo dai genitori? Ho imparato da lei tutto ciò che so oggi. Questo è il motivo per cui dico che anche noi padri e madri dobbiamo essere anticonformisti da ogni abuso e brutalità contro le nostre figlie e figli. Quest’anno trascorrerò la festa della mamma con la mia amata figlia.”

“Grazie a Dio mio figlio è trans”
Maria Aparecida da Silva, 51 anni, madre di Kauan Fernando da Silva Gaspar

“Grazie a Dio mio figlio è trans. Aver avuto l’opportunità di essere una mamma trans perché non è per tutti. Crescere un bambino trans è per madri forti e sagge. Ma non ho sempre saputo quella parola “trans”. Pensavo di avere una figlia a cui piacevano le donne, il che non è stato un problema per me. Ma il tempo passava e Kauan era molto nervoso, irresponsabile e non potevamo più parlare. Ero arrabbiata perché la mia vita era sempre lui. Fu allora che ebbe l’ictus, a causa degli ormoni che stava assumendo da solo, e quasi morì.
Ero disperata e ho cercato aiuto dagli psicologi. Un neurologo ha detto che c’era un trattamento per questo caso, quindi l’abbiamo seguito. Se l’avessi saputo prima, mi avrebbe aiutato molto tempo fa.
Poi è diventato qualcun altro, soprattutto dopo l’intervento chirurgico che ha mascolinizzato il torace. Era molto più felice, con grande autostima, si prende cura di mia madre mentre lavoro. Kauan è molto affettuoso, si prende cura di me e mi aiuta a risolvere i miei problemi.

Come ogni famiglia, abbiamo dovuto adattarci alla nuova identità di Kauan. Mia madre, sua nonna, parla molto bene il suo nome e quando commette un errore dice: “Mi dispiace, Kauan, mi dimentico”. Oggi faccio parte di Mothers for Diversity, che mi ha aiutato molto. Posso dire di essere una madre pienamente realizzata e felice con mio figlio. A Dio piacendo, facciamo un bellissimo pranzo in famiglia con lui insieme.”

“L’importante era accogliere e dire che non avrei lasciato andare la sua mano”
Solange Martins Meira Damico, 45 anni, madre di João Felipe Meira Damico

“Quando John aveva 14 anni, è andato in bagno, piangeva e si guardava allo specchio. All’inizio pensavo che mio figlio fosse una ragazza a cui piacevano le ragazze, ma col passare del tempo ho visto che non era quello. Quel giorno chiesi: “Perché piangi così tanto?” E ha detto: ‘Non mi sento una ragazza, mi sento un uomo, mi piace essere un uomo”. Ho semplicemente detto: ingoio questo grido, sollevo quella testa, perché non devi alcuna soddisfazione a nessuno. Ed è tutto, a partire da oggi sarai un ragazzo.
Ho chiesto, “Che nome vuoi?”. Ha detto João Felipe. E’ interessante notare che Philip è il nome che l’ho chiamato dal grembo materno. Non mi importava cosa gli altri potessero pensare e non capivo nulla dell’essere trans. L’importante in quel momento era dargli il benvenuto, dire che siamo insieme e non avremmo lasciato andare la sua mano. Ed è così anche oggi.

Mio figlio è un compagno, amico, lavoratore, e ci sosteniamo a vicenda. Essere la madre di John è un dono. Se fosse diverso da quello che è, lo restituirei perché è venuto con un difetto di fabbrica (ride). Voglio dire, non voglio che perda la sua essenza. È doloroso solo quando vedo bambini picchiati e assassinati nelle strade. Perché nessuno ha chiesto di essere così, perché essere LGBT non è un crimine e non è un difetto. Anormale è colui che la pensa diversamente.
Dico ai genitori dei bambini LGBT di abbracciare i propri figli, dare amore, affetto e protezione. Perché se non li proteggi, il mondo non li proteggerà. E se dai tutto, puoi essere sicuro che sarà grato per il resto della sua vita. Buona festa della mamma, in particolare le madri che, come me, hanno il privilegio di avere figli LGBT”.

“È tuo figlio e devi solo amarlo” Vera Farias, 48 ​​anni, madre di Johi Farias

“Johi si è trovato attraverso un documentario e mi ha chiesto di guardarlo anche io. Tutto ha iniziato ad avere un senso. All’inizio pensavo che gli piacessero solo le ragazze, ma era molto arrabbiato quando gli ho chiesto se fosse lesbica. Diceva di no. Dato che non avevo idea di chi fosse un trans, ho pensato che stesse mentendo. Dopo questo documentario, ho iniziato a capire. Ho sempre accolto e mai pensato di mettere fuori mio figlio. È mio, è stato Dio a darmelo. E Johi è amorevole, si prende cura delle persone, ama aiutare, è onesto e per me è la cosa principale: so che anche lui mi ama. Ho avuto problemi nella mia vita e anche se è ferito, mi sta mostrando il suo braccio forte e il suo cuore puro. Può essere dolce, ma può essere forte quando ne ho bisogno. Penso che quando i genitori dicono “Mio figlio è trans, ora cosa faccio?” dico che vogliono capire il loro figlio. Perché all’improvviso qualcuno dice che il medico è pazzo e tu non hai una figlia ma un figlio e vuoi capire. Tutto è confuso, ma i genitori nella loro saggezza e obbedienza a Dio di amare il prossimo capiranno che non è una maledizione. È solo tuo figlio o tua figlia e devi solo amarlo. La gente dice sempre: “Bambini, divertitevi con i vostri genitori, perché dopo averlo persi è tardi”. Ma io dico: “Genitori, divertitevi e amate i vostri figli incondizionatamente mentre li avete, perché se li perdete soffrirete molto”. Per me, l’esperienza di essere madre di un uomo transessuale è quella di smettere di essere prevenuta e di sapere che il mio Johi è meraviglioso e che vorrei che altre madri di figli e figlie trans capissero questo.

“Sono felice se è felice”
Vera Lúcia de Oliveira Roriz, madre di Ana Victória

“Mia figlia mi ha spiegato tutto sull’essere trans. Per Ana Victoria è stato un po ‘difficile dirlo, si disperava, ma non ne aveva bisogno. Ovviamente sono stato sorpresa di saperlo ma ho sempre avuto la testa aperta per ogni possibile situazione. Se è felice, lo sono anch’io. E rispetto la sua vita.
Prima venne a dirmi che stava uscendo con Ivan e volevo parlargli perché ero preoccupata e sentivo che aveva bisogno di sapere che non ero contraria. Nel tempo, ho imparato che quando vogliamo fare qualcosa che non danneggi l’integrità delle altre persone, possiamo fare tutto. E non dobbiamo nemmeno accettare ciò che è buono per i nostri figli. Ho sempre detto che non accetterò che rubi o sia coinvolto nelle droghe.
Quando è andata via di casa, mi ero persa. È la persona che mi ascolta, la mia confidente. Mia figlia è la mia compagna, è forte e molto sensibile. È qualcosa di un’altra vita, se mi capisci. Sono molto orgogliosa di lei in ogni modo. Ho imparato, ad esempio, ad essere più fiduciosa quando devo fare qualcosa che trovo impossibile.
Vorrei essere più presente nella sua vita e dire a mio genero che siamo pronti ad accogliervi. Adoro mia figlia e mio genero. Questa festa della mamma la passeremo insieme, sì, con tanto amore”.

“Sembrava l’inizio di una vita più piena, meno sofferente”
Adriana Valadares Sampaio, 47 anni, madre di Victor Valadares Summers
“Nella mia infanzia a Rio de Janeiro, c’era una donna trans che viveva vicino a casa mia. Per inciso, era gentile ed educata. Ma non sapevo della letteratura o delle teorie transgender. Victor è stato colui che mi ha portato il problema a 16 anni. Dopo molti anni di di depressione, mi ha parlato del sentimento e dell’identificazione da ragazzo. Immediatamente tutto sembrò avere senso, tutto il suo comportamento fin dall’infanzia.

Avevo molta paura di come potesse essere attaccato da terzi, di come avrei fatto per proteggerlo. Così ho deciso di leggere, approfondendo l’argomento. Non l’ho mai visto come negativo. Alla fine capisce i suoi processi interni e capisce se stesso e sembrerebbe l’inizio di una vita più piena e meno sofferente.
Mio figlio è sempre stato una persona forte e determinata. Sono molto orgoglioso di chi è. È empatico, non paralizzato di fronte a problemi e ingiustizie. È comune sedersi in un bar e perdere tempo a scambiarsi idee su vari argomenti e imparo molto da lui.

Attraverso di lui, ho abbracciato cause latenti in me, posizionandomi in modo più militante sul femminismo, l’attivismo per i diritti degli animali e le cause LGBT. Ogni volta che posso cerco di difendere un travestito o qualcuno esposto o beffato per essere LGBT.
Trascorrerò la festa della mamma con i miei tre figli, ma in particolare non mi piacciono queste date inventate per il commercio. Ecco perché cambio scambi di regali con programmi culturali, una tazza di caffè e una conversazione“.

Suggerimento per i genitori di bambini trans?

Non mi considero una brava persona a guidare i genitori nel processo di accettazione. Ciò mi metterebbe in una posizione di “modello” e le persone hanno esperienze e livelli di soggettività diversi. Ma fondamentalmente direi due cose: cercare la conoscenza. È molto facile demonizzare ciò che non sappiamo. I nostri figli non devono essere o seguire ciò che vogliamo o ci aspettiamo da loro. Sono individui, non le nostre estensioni, e tanto meno le nostre cose. E un altro è lasciare prevalere l’affetto. L’alterazione di genere non priva il bambino della categoria del bambino. Dove va l’affetto che è sempre stato espresso? Dove va l’amore delicato? Ami tuo figlio come persona o per come vorresti sia? Serve semplicemente amore.
Infine, vorrei dire ai genitori che fanno affidamento sulle religioni che dicono di non accettare i loro figli, che non siete vicini ai religiosi. I libri sacri furono scritti da umani, in particolare uomini che propagarono l’ideale macho patriarcale di “normalità”. Ogni lettura dovrebbe essere attenta e tenere conto del tempo e della cultura del periodo in cui è stata scritta. Non vale la pena fare una lettura selettiva. Citare l’Antico Testamento per condannare le relazioni omo-affettive, ma mangiare crostacei e indossare due tessuti diversi nello stesso vestito è ipocrisia. Questa non è religiosità. State usando la religione come scudo per nascondere la paura e l’odio. Il tuo posto non è in una chiesa, ma su un divano.”

“Sono diventata madre per la diversità e ho avuto diversi figli”
Paula Ramos, 47 anni, madre di Dylan Belo

“Il processo di trasformazione di Dylan è stato fonte di confusione per me perché non sapevo cosa fosse un uomo trans. Per me era etero o lesbica (ride). Nessun problema con l’essere lesbica, perché ho sempre avuto una mente aperta e vissuto circondata da amici gay e ci sono molte persone in famiglia. Ma essere trans era nuovo per me.
Quando è arrivato e ha detto che era nel corpo sbagliato e stava molto male, ho pensato che avesse un problema psicologico. Percepivo atteggiamenti di depressione e isolamento. Abbiamo cercato aiuto, ma nessun professionista ha capito il caso. La relazione divenne piuttosto complicata, perché non poteva accettare.

Ho sofferto nel vedere la sua sofferenza. Non ho più dormito e ho perso la concentrazione sul lavoro. Non sapevo cosa fare. Sapevo solo che dovevo fare qualcosa, che non potevo aspettareche accadesse qualcosa di peggio. Avevo paura che si suicidasse, che qualcosa sarebbe successo per le strade o avrebbe perso il mondo. Fu allora che, attraverso un amico conobbi le madri collettive per la diversità. È stato inviato da Dio.
Ho incontrato persone che mi hanno capita e che hanno vissuto la stessa storia. Non ero più sola. Oggi accetto e cerco di capirti e aiutarti. Sto ancora vivendo la sua transizione e devo abituarmi a questo bel ragazzo che gira per casa, ma è ancora chi ho generato con tanto amore e gioia. Una persona premurosa che ha un cuore enorme con tanto amore da dare. E mi stava chiedendo aiuto. Ora sono qui al suo fianco per qualunque cosa.
Sono qui per amare, proteggere e prendermi cura, come ha fatto con me quando ho subito un intervento chirurgico importante, come se fossi sua figlia. Oggi sono persino sorpresa perché mi vedo militante con la causa. Sono una madre per la diversità e mi sento in dovere di lottare per un mondo migliore in cui possa vivere con dignità e rispetto. Perché non voglio che gli facciano del male e non succeda niente di brutto. Ora ho vinto diversi bambini per la diversità. Molti di loro sono stati abbandonati dai genitori.

Messaggio ai genitori: cerca di capire i tuoi figli. Cerca aiuto, non rinunciare a loro, non permettere al mondo esterno di corrompere la loro essenza. Esci dalla scatola. Hanno bisogno di noi ancora di più. Se siete insieme, li farà sentire più forti e più felici. E tutto ciò che i genitori sognano per i loro figli è questo, no?”

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