Qual é o lugar da mulher transexual ou da travesti? Enquanto a sociedade aponta para um destino, diversas pessoas saltam a margem, transgridem e arrasam em um leque de profissões. Mostram que representatividade é importante.
Aos poucos, deparamos (e divulgamos) uma professora transexual, uma atriz travesti, um atendente homem trans, uma advogada travesti, uma diretora transgênero… E, agora, uma tradutora para dublagem mulher transexualIara de Delacruz.

Há cinco anos, ela é responsável pela tradução para dublagem de diversos filmes, séries e desenhos famosos que assistimos na televisão, no cinema ou na Netflix. O mais famoso, o desenho Pokémon: A série XY, cuja tradução foi elogiada por fãs da série. Dentre os estúdios que presta serviço está a Centauro Comunicaciones e Lexx.

Iara revela que, ao ser convidada para uma matéria ao NLUCON, decidiu revelar pela primeira vez que é uma mulher transexual no trabalho. Um ato de coragem em tempos de transfobia latente. Mas que dialoga perfeitamente com suas grandes inspirações: a personagem Ellen Ripley, de Aliens – O Resgate, e a cartunista Laerte Coutinho. Sim, trata-se de uma trans geek! O resultado você fica sabendo no bate-papo abaixo:

Como iniciou a sua história no universo da tradução para dublagem?
Comecei em 2010. E três fatores facilitaram a minha entrada: eu já trabalhava como técnica de som no estúdio Centauro Comunicaciones, sabia inglês e tinha um domínio razoável de português, que também é fundamental. Ah! E aprendi inglês jogando videogame, e isso é para quem acha que jogar videogame não serve para nada (risos). Falei para eles: manda umas traduções para eu fazer. Como já conhecia como era o procedimento do estúdio, como eram feitos os detalhes e as minúcias, tive bastante facilidade. E fui traduzindo… 

E já entrou de cabeça…
Foi aos pouquinhos. Recebia o trabalho em uma semana, na outra recebia outro, daí passavam duas semanas e eu ficava sem receber trabalho. Mas com o tempo, mais precisamente em 2012, eu comecei a trabalhar bastante. Foi a hora que eu comecei a morar de aluguel, a precisar do dinheiro, e comecei a focar nas traduções para dublagem. 

Como é o seu processo de trabalho?
É bem puxado. É um processo muito dinâmico e que exige muita prática e um ritmo acima do normal. Eu recebo um script num dia e às vezes tenho que entregar no dia seguinte. É um trabalho especializado, porque não é só traduzir o que está escrito. Você tem que traduzir pensando que o texto vai ser falado, que vai ter que bater com a boca da personagem que está no filme. Ou seja, tem a questão de linguagem e até de interpretação, porque mesmo que o tradutor não interprete, às vezes uma vírgula, uma exclamação e um ponto faz a diferença. Às vezes você tem que realçar no texto uma palavra para que o dublador entenda a entonação da personagem. Por exemplo: você não é rei, EU sou o rei. 

E como você faz para enfatizar?
Negrito. Foi uma solução simples, porque no tempo como técnica, eu não via nenhum tradutor fazendo isso. Apesar do tempo apertado, eu sempre tento mandar o trabalho o mais redondo possível e na métrica certa para dar o mínimo de trabalho no estúdio. Mas com cinco anos de trabalho, eu ainda me considero em começo de carreira.

Uma dúvida: o que você faz quando observa termos politicamente incorretos como “transexualismo, homossexualismo”? Você pode mudar?
Eu não peguei termos assim ainda, mas temos que levar em conta várias questões. Se for um documentário para conscientizar as pessoas sobre homossexualidade, alguém diz “homossexualismo” e você percebe que foi um erro da produção, daí você pode ir lá e colocar “homossexualidade”. Mas se for um homofóbico que está falando uma besteira, do tipo “homossexualismo é errado”, você tem que colocar do jeito que ele falou. Neste sentido, temos outra coisa curiosa que é em relação a palavrões e linguagens chulas, que por padrão a gente deve evitar. É por isso que você vê pérolas em filmes como “Seu filho da mãe”.

(risos) Quais são os trabalhos mais marcantes que você fez de tradução?
Tem muita coisa, mas vamos lá. Traduzi o (filme de ação) Machete Mata para o estúdio Lexx Comunicações. Traduzi (a série) Continuum, traduzi vários episódios do reality show Face Off, ambos do Syfy. Recentemente fiz vários trabalhos de O Sócio, que passa no History. E uma certa série aí que eu não posso falar muito a respeito, mas eu posso falar qual série é.

E qual é?
É Pokémon (XY) e eu traduzi recentemente duas temporadas. Mas é algo que eu não posso falar muito, porque eu assinei um termo confidencialidade. 

Mas chegaram a te eleger uma das melhores tradutoras de Pokémon, não?
Foi uma matéria da PokeblastNews (leia ela clicando aqui), que fez uma reportagem sobre Pokémon XY. O menino chegou a visitar o estúdio para ver, aí tá lá na reportagem: “uma das coisas mais legais que vi foi a tradução, que é coerente, concisa, muito boa, fiquei muito contente que entregaram a tradução para essa pessoa e espero que ela continue por muitos anos”. Quando olhei o texto, fiquei feliz, fiquei contente com isso, né?

De todas essas traduções, as pessoas sabem que se trata de uma mulher transexual nos bastidores?
Na verdade, eu me assumi oficialmente trans no trabalho hoje. Mas eles faziam ideia. Duas pessoas que também trabalham com dublagem me adicionaram no Facebook, eles devem ter falado ali e a notícia se espalhou. Quando você me chamou para fazer essa entrevista, eu falei: “Não posso fazer essa entrevista sem antes comunicar a empresa, né?”. Então, juntando o útil ao agradável, já que tenho que me assumir de qualquer jeito, vou me assumir logo de uma vez.

E como eles receberam a notícia?
O gerente foi muito gentil, receptivo. Ele até ficou um pouco espantado no começo e eu vi pelos olhos, mas não vocalizou nada. Chegou a comentar da Caitlyn Jenner, que o estúdio também faz a dublagem. E eu falei que era um risco contar pelo preconceito. Mas ele afirmou que, “dado o meu histórico na empresa, eu não preciso ter medo de nada, que nada vai impactar no meu trabalho e que eu sempre posso contar com o apoio que precisar”. O mais bacana foi que, após contar e falar que o meu nome é Iara, ele estendeu a mão para mim e disse: “Prazer, Iara”.

O que significou essa “saída do armário” no ambiente de trabalho?
Eu me senti acolhida. Até porque já aconteceu de ter me assumido em outro lugar que eu trabalhava e o empregador disse: “Não tem problema, não temos preconceito”. Mas veio a época de férias e, quando eu voltei, trabalhei um dia e ele já veio me dar uma desculpa qualquer para eu ir embora. Ele disse que ia me chamar assim que precisasse de novo, e nunca mais chamou. 

Há outras mulheres transexuais na tradução de dublagem? Você acha importante a questão de representatividade?
Tenho uma grande amiga, a Mayane Lins, que também quer trabalhar com tradução. Eu acabei a treinando e ela está tendo trabalhos. Ela também gosta deste mercado e quer participar. E estou dando uma força. Acho que é mais que importante vermos trans saindo de um lugar imposto para estar ocupando todos os outros. É necessário.

 Nós também somos seres humanos que merecemos o nosso lugar ao sol. Então é mais que certo que haja representatividade trans. Estou gostando de ver, por exemplo, esse desabrochar nas mídias, de pessoas trans trabalhando em cinema, mas ainda está tímido. Precisamos de mais séries como Sense8, Orange is the New Black, Hit and Miss, apesar desta última, a protagonista trans ser interpretada por uma atriz cis… De mais trans ocupando várias profissões e espaços.

Por falar em representatividade, há alguma pessoa trans que tenha te inspirado?
A Laerte. Em meados de 2010, quando eu estava ensaiando para iniciar a minha transição, a minha psicoterapeuta Irene contou para mim: “Você viu que a Laerte se assumiu?”. E quando eu fui assistir ao Roda Viva eu falei: “Uau, que legal”. Se eu achava que tinha algum problema se assumir depois da minha adolescência, quando eu vi a Laerte se assumindo em seus 60 anos, falei: foda-se, vou me assumir também”. Mas eu nunca tive coragem de agradecer. Até estive na passeata em memória da Laura Vermont e ela estava lá do meu lado, mas eu não tive coragem de falar com ela, porque sou muito tímida e bocó (risos).

Você costuma ver o seu trabalho quando já está disponível para o público?
Quando eu pego na TV ou na Netflix eu assisto. E é uma bosta a experiência, porque eu sou muito crítica. Eu só fico catando defeito, “podia ter feito diferente, poderia ter melhorado aqui, ali”. Sou doentemente crítica e é até perigoso ficar assistindo, porque corro o risco de travar no processo de tradução. 

E quando vai ao cinema você prefere filme dublado ou legendado?
Tanto faz. O que me desestimula é quando eu vejo que a legenda está errada ou quando a dublagem está ruim. Aí eu troco e torço para que o outro formato esteja melhor. A dublagem boa é quando você começa a assistir ao filme dublado, passa cinco minutos e você esquece que ele é dublado. Até quando saiu o Despertar da Força – pode colocar aí que eu sou fã doente de Star Wars – eu assisti várias vezes no cinema dublado e legendado.

Você já pensou em querer ir para o outro lado e também fazer a dublagem?
Tenho sentimentos mistos em relação a isso. Já pensei nisso, já fiz curso de teatro, já considerei bacana emprestar a minha voz para as personagens. Mas ao mesmo tempo eu me sinto tão bem dentro do que eu faço que não sei se gostaria de mudar. Talvez eu até devesse tentar para ver se me encontro melhor dentro dessa questão. O que eu posso dizer é que, caso eu faça dublagem, não vai ser com pressa. 

Quando os créditos sobem, não é o seu nome social que está lá. Como é isso para você?
Eu sei que os dubladores podem colocar o nome artístico. Mas para tradutora não sei como funciona a parte legal dos créditos. Como eu não havia comunicado oficialmente que sou uma mulher transexual, tudo o que traduzi foi com o meu nome de registro. É óbvio que eu preferiria que subisse o meu nome social, mas eu particularmente não me incomodo que as pessoas saibam do meu nome anterior. Eu estou passando pelo processo de transição, mas não quero apagar o meu passado. Conheço muitas trans que queimam as fotos antigas, que não querem lembrar de nada de antes, mas eu guardo tudo, para mim é registro da minha vida.

O que você pensa profissionalmente a longo prazo?
Eu amo trabalhar com tradução. É um nicho que encontrei e que me encaixei perfeitamente. E tive uma sorte tremenda de ter conseguido entrar nesse meio e de me sentir em casa. Para eu deixar esse trabalho, só se encontrar algo muito melhor. Mas não consigo visualizar uma coisa tão melhor agora.

Sei que você é geek e que nesse universo há muitas reclamações de machismo. Você sofre transfobia?
A pessoa nerd também cresce sofrendo muito preconceito da sociedade. Os amigos querendo diminuir na escola, dizendo que é menos homem porque é nerd. Na escola eu sofria isso: me chamavam de boiola, de mocinha. Mas não porque eu tinha trejeitos, eu não tinha, era só porque eu era nerd e ficava na minha. Talvez seja por isso e pela própria indústria, que investe em personagens masculinos, heróis que salvam as mocinhas, que muitos nerds também se tornam machistas, transfóbicos, homofóbicos. Eu procurei um grupo no qual eu me sinta segura. E encontrei o Minas Nerds, que eu participo e posso interagir com essas pessoas sem medos de sofrer transfobia. Como o meio se mostrou meio tóxico, nós Minas Nerds nos unimos. Um beijo pra Tamires, Cecília e Sarinha.

Certa vez, você fez uma linda e marcante ilustração para nós no Dia Internacional da Mulher. Pensa em explorar esse lado de ilustração?
Não considero um trabalho, faço por hobby. Eu gostaria de explorar mais, fazer uma revista em quadrinhos, e deixar isso ao público. É claro que terei personagens trans, mas não como tema central – do tipo, a história de uma pessoa trans que está se assumindo, não. O gênero que eu curto é ficção científica e também porradaria, é tiro, bomba, facada, de guerra. Star Wars, Aliens – o Resgate. Ou seja, vamos ter personagens trans descendo a porrada e saindo muito bem.

O que você pensa profissionalmente a longo prazo?
Eu amo trabalhar com tradução. É um nicho que encontrei e que me encaixei perfeitamente. E tive uma sorte tremenda de ter conseguido entrar nesse meio e de me sentir em casa. Para eu deixar esse trabalho, só se encontrar algo muito melhor. Mas não consigo visualizar uma coisa tão melhor agora.

Sei que você é geek e que nesse universo há muitas reclamações de machismo. Você sofre transfobia?
A pessoa nerd também cresce sofrendo muito preconceito da sociedade. Os amigos querendo diminuir na escola, dizendo que é menos homem porque é nerd. Na escola eu sofria isso: me chamavam de boiola, de mocinha. Mas não porque eu tinha trejeitos, eu não tinha, era só porque eu era nerd e ficava na minha. Talvez seja por isso e pela própria indústria, que investe em personagens masculinos, heróis que salvam as mocinhas, que muitos nerds também se tornam machistas, transfóbicos, homofóbicos. Eu procurei um grupo no qual eu me sinta segura. E encontrei o Minas Nerds, que eu participo e posso interagir com essas pessoas sem medos de sofrer transfobia. Como o meio se mostrou meio tóxico, nós Minas Nerds nos unimos. Um beijo pra Tamires, Cecília e Sarinha.

Certa vez, você fez uma linda e marcante ilustração para nós no Dia Internacional da Mulher. Pensa em explorar esse lado de ilustração?
Não considero um trabalho, faço por hobby. Eu gostaria de explorar mais, fazer uma revista em quadrinhos, e deixar isso ao público. É claro que terei personagens trans, mas não como tema central – do tipo, a história de uma pessoa trans que está se assumindo, não. O gênero que eu curto é ficção científica e também porradaria, é tiro, bomba, facada, de guerra. Star Wars, Aliens – o Resgate. Ou seja, vamos ter personagens trans descendo a porrada e saindo muito bem.

Fora isso, eu também tenho um hobby de plastimodelismo. Você compra um kit de um veículo, avião ou tanque, e você tem que montar e pintar. Eu estou na parte de montar aviões de plástico. É uma coisa muito divertida, terapêutica, até porque gosto de aviões temáticos. Eu fiz um avião em homenagem ao meu cachorro Buddy. E transformei um avião caça T-50 da Rússia, em um avião trans. O T de trans, que bombardeia 50 transfóbicos por dia e pintei o avião nas cores da bandeira trans. Uma resposta à lei transfóbica e homofóbica que há na Rússia. 

O que você acha que ainda hoje a sociedade tem que desmistificar em relação às identidades trans?
As pessoas precisam parar de enxergar a gente como algo de outro mundo, como objeto sexual, como aberração. E passar a enxergar a gente como simples pessoas que também estão aí na batalha, tentando viver as suas vidas, que tem sonhos, que tem desejos e que querem conquistar uma vida digna. Mas infelizmente ainda temos que lutar por um direito básico, que é o direito à vida.

***

La donna transessuale è una traduttrice di voice over e ha Pokémon XY sul suo curriculum

Qual è il posto della donna transessuale o del travestito? Mentre la società indica una destinazione, diverse persone saltano in mare, trasgrediscono e razziano una serie di professioni. La rappresentatività è importante. A poco a poco, ci siamo imbattuti in un insegnante transessuale, un’attrice travestita, un assistente transessuale, un avvocato travestito, un regista transgender… E ora, una traduttrice transessuale, doppiatrice, Iara de Delacruz . Per cinque anni è stata responsabile del doppiaggio per molti famosi film, serie e cartoni animati che guardiamo in televisione, film o su Netflix. Il più famoso, il cartone animato Pokémon: la serie XY, la cui traduzione è stata elogiata dai fan della serie. Gli studi di servizio includono Centauro Comunicaciones e Lexx.

Iara rivela che, quando è stata invitata a raccontarsi a NLUCON , ha deciso di rivelare per la prima volta di essere una donna transgender al lavoro. Un atto di coraggio in tempi di transfobia latente. Ma questo coincide perfettamente con le sue grandi ispirazioni: il personaggio Ellen Ripley, di Aliens – The Rescue, e il fumettista Laerte Coutinho. Sì, è una geek trans! Conosciamola meglio insieme!

Come hai iniziato la tua storia nel mondo della traduzione di doppiaggio?
Ho iniziato nel 2010. E tre fattori hanno facilitato il mio ingresso: stavo già lavorando come tecnico del suono presso lo studio Centauro Comunicaciones, conoscevo l’inglese e avevo una buona padronanza del portoghese, che è anche fondamentale. Ah! E ho imparato l’inglese giocando ai videogiochi, e questo è per coloro che pensano che giocare ai videogiochi sia inutile (ride). Ho detto loro: mandami alcune traduzioni. E poiché sapevo già com’era la procedura dello studio, come venivano fatti i dettagli, ero abbastanza facile. E ho iniziato a tradurre a poco a poco. Ho ricevuto il lavoro in una settimana, il successivo ne ho ricevuto un altro, poi sono passate due settimane ed ero senza lavoro. Ma nel tempo, più precisamente nel 2012, ho iniziato a lavorare sodo. Era tempo che iniziassi a vivere in affitto, avevo bisogno di soldi, e ho iniziato a concentrarmi sulle traduzioni del doppiaggio.

Come avviene il processo lavorativo?
È ben tirato. È un processo molto dinamico che richiede molta pratica e un ritmo sopra il normale. Ricevo una sceneggiatura un giorno e talvolta devo consegnarla quello dopo. È un lavoro specializzato, perché non traduco solo ciò che è scritto. Devi tradurre pensando che il testo verrà pronunciato, che dovrà colpire la bocca del personaggio nel film. Cioè, c’è la questione del linguaggio e persino dell’interpretazione, perché anche se il traduttore non interpreta, a volte una virgola, un punto esclamativo e un punto fanno la differenza. A volte devi evidenziare una parola nel testo in modo che il doppiatore capisca l’intonazione del personaggio. Ad esempio: non sei re, io  sono re.

E come fai a sottolineare?
Grassetto. Era una soluzione semplice, perché nel tempo come tecnica non vedevo alcun traduttore farlo. Nonostante il poco tempo, cerco sempre di inviare il lavoro il più fatto bene possibile e con la giusta metrica per dare il minor numero di lavori in studio. Ma con cinque anni di lavoro, mi considero ancora all’inizio della mia carriera.

Una domanda: cosa fai quando guardi a termini politicamente scorretti come “transessualismo, omosessualità”? Puoi cambiare?
Non l’ho ancora preso in quel modo, ma dobbiamo prendere in considerazione una serie di problemi. Se è un documentario per rendere le persone consapevoli dell’omosessualità, qualcuno dice “omosessualità” e ti rendi conto che si è trattato di un errore di produzione, quindi puoi andare lì e inserire “omosessualità”. Ma se sei un omofobo che parla di cazzate, come “l’omosessualità è sbagliata”, devi metterla nel modo in cui l’ha detto. In questo senso, abbiamo un’altra cosa curiosa su volgarità e linguaggio volgare, che per impostazione predefinita dovremmo evitare. Ecco perché vedi perle in film come “Figlio di puttana”.- (ride)

Quali sono i tuoi lavori di traduzione più straordinari?
C’è molto. Ho tradotto Machete Mata (film d’azione) nello studio Lexx Communications. Ho tradotto la serie Continuum, diversi episodi del reality show Face Off, entrambi di Syfy. Di recente ho realizzato diverse opere di The Partner, che continua nella storia. E una certa serie di cui non posso parlare molto, ma posso dire di quale serie si tratta.

E quale?
È Pokémon (XY) e di recente ho tradotto due stagioni. Ma è qualcosa di cui non posso parlare molto, perché ho firmato un termine di riservatezza.

Ma ti hanno persino eletta uno dei migliori traduttori di Pokémon, vero?
Era una storia di PokeblastNews che faceva una relazione su Pokémon XY. Il ragazzo è venuto a visitare lo studio per vedere, c’è nel rapporto: “una delle cose più belle che ho visto è stata la traduzione, che è coerente, concisa, molto buona, sono stato molto contento che abbiano consegnato la traduzione a questa persona e spero che continuerà per molti anni “. Quando ho guardato il testo, ero felice!

Le persone sapevano che c’è una donna transessuale dietro le quinte?
In effetti, mi sono dichiarata ufficialmente trans al lavoro oggi. Ma avevano un’idea. Due persone che lavorano anche con la recitazione vocale mi hanno aggiunto su Facebook, devono aver parlato lì e la parola diffusa. Quando mi hai chiamato per fare questa intervista, ho detto: “Non posso fare questa intervista senza prima comunicare all’azienda, giusto?”.Quindi, combinando l’utile con il piacevole, dal momento che devo assumermi comunque, prenderò il posto immediatamente.

E come hanno ricevuto le notizie?
Il direttore è stato molto gentile, ricettivo. All’inizio era un po’ sorpreso e l’ho visto attraverso i miei occhi, ma non ha detto nulla. Ha anche commentato di Caitlyn Jenner, di cui lo studio doppia la voce. E ho detto che era un rischio contare sul pregiudizio. Ma ha detto: “Dato il mio curriculum in azienda, non ho bisogno di aver paura di nulla, nulla avrà un impatto sul mio lavoro e che posso sempre contare sul supporto di cui ho bisogno”. Il bello è stato, dopo aver detto che mi chiamo Iara, mi ha contattato e mi ha detto: “Piacere di conoscerti, Iara.”

Cosa significava “fuori dagli schemi” sul desktop?
Mi sono sentita accolta. Anche perché mi è capitato di lavorare anche altrove e il datore di lavoro diceva: “Nessun problema, non abbiamo pregiudizi”. Ma arrivarono le festività natalizie e quando tornai, stavo lavorando e lui con delle scuse mi disse che dovevo andarmene. Mi disse che mi avrebbe chiamata non appena ne avesse avuto bisogno, e non ha mai più chiamato.

Ci sono altre donne transessuali nel mondo del doppiaggio? Pensi che il problema della rappresentatività sia importante?
Ho una grande amica, Mayane Lins, che vuole lavorare anche con la traduzione. Ho finito per addestrarla e lei ha un lavoro. Le piace anche questo mercato e vuole partecipare. E sto dando una forza. Penso che sia più che importante vedere trans che escono da posti imposti per occuparne altri.
Siamo anche esseri umani che meritano il nostro posto al sole. Quindi, è più che certo che ci sia rappresentatività trans. Mi piace vedere, ad esempio, questo fiorire nei media delle persone trans che lavorano nei film, ma è ancora timida come cosa. Abbiamo bisogno di più serie come Sense8, Orange Is The New Black, Hit and Miss, anche se in quest’ultimo, il protagonista trans è interpretato da un’attrice cis … Servono più trans che occupano varie professioni e spazi.

A proposito di rappresentatività, c’è qualcuno trans che ti ha ispirato?
I Laerte. A metà del 2010, mentre stavo iniziando la mia transizione, la mia psicoterapeuta Irene mi disse: “Hai visto uscire Laerte?” E quando sono andata a vedere Roda Viva, ho detto: “Wow, è fantastico.” Se pensavo di avere un problema dopo la mia adolescenza, quando ho visto Laerte uscire nei suoi anni ’60, ho detto: Cazzo, lo prenderò anche io.” Ma non ho mai avuto il coraggio di dire grazie. Sono persino andata alla marcia di Laura Vermont in memoria e lei era lì al mio fianco, ma non ho avuto il coraggio di parlarle perché sono così timida e noiosa (ride).

Vedi spesso i tuoi lavori quando sono già disponibili al pubblico?
Quando guardo la TV o Netflix. Ed è merda l’esperienza, perché sono così critica. Ho appena scoperto il difetto, “avrei potuto fare diversamente, avrei potuto migliorare qui, lì”. Sono malato critica e persino pericolosa se mi riguardo, perché rischio di bloccare il processo di traduzione.

E quando vai al cinema preferisci i film doppiati o sottotitolati?
Qualunque cosa. Ciò che mi scoraggia è quando vedo che il sottotitolo è sbagliato o quando la recitazione della voce è cattiva. Quindi cambio e spero che l’altro formato sia migliore. La buona recitazione vocale è quando inizi a guardare il film doppiato, dura cinque minuti e ti dimentichi che è doppiato. Anche quando è uscito il risveglio della Forza – si potrebbe dire che sono una fan malata di Star Wars – l’ho visto diverse volte nel cinema soprannominato e sottotitolato.

Hai mai pensato di voler andare dall’altra parte e anche recitare la voce?
Ho sentimenti contrastanti su questo. Ci ho pensato, ho fatto il dramma, è stato bello prestare la mia voce ai personaggi. Ma allo stesso tempo mi sento così bene dentro quello che faccio che non so se vorrei cambiare. Forse dovrei anche provare a vedere se mi trovo meglio. Quello che posso dire è che se farò la recitazione vocale, non ci sarà fretta.

Quando appaiono i crediti, non è il tuo nome sociale ad apparire. Come la vivi?
So che i doppiatori possono mettere il nome d’arte. Ma per un traduttore non so come funzioni la parte legale dei crediti. Dato che non avevo comunicato ufficialmente che sono una donna transessuale, tutto quello che ho tradotto era con il mio nome di registrazione. Naturalmente, preferirei che apparisse il mio nome sociale, ma non mi preoccupo particolarmente delle persone che debbano conoscere il mio nome precedente. Sto attraversando il processo di transizione, ma non voglio cancellare il mio passato. Conosco molti trans che bruciano le vecchie foto, che non vogliono ricordare nulla di prima, ma tengo tutto, per me è un record della mia vita.

Cosa pensi professionalmente a lungo termine?
Adoro lavorare con la traduzione. È una nicchia che ho trovato perfettamente adatta. E sono stato tremendamente fortunata di avercela fatta e di sentirmi a casa. Lascierei questo lavoro solo se trovo qualcosa di molto meglio. Ma non riesco a visualizzare una cosa migliore ora.

So che sei una fanatica e che in questo universo ci sono molte lamentele sul machismo. Soffri di transfobia?
La persona geek cresce anche soffrendo molti pregiudizi dalla società. A scuola ho sofferto di questo: mi hanno chiamato una mucca, una giovane donna. Ma non perché avessi il fegato, non l’ho fatto, era solo perché ero un secchione ed ero rimasto nel mio. Forse è per questo e per l’industria stessa che investe in personaggi maschili, eroi che salvano le ragazze, che molti nerd diventano anche sessisti, transfobici, omofobi. Ho cercato un gruppo in cui mi sento al sicuro. E ho trovato Minas Nerds, a cui partecipo e posso interagire con queste persone senza paura di soffrire di transfobia. Quando il mezzo si rivelò un po ‘tossico, noi Minas Nerds ci riunimmo. Un bacio per Tamires, Cecilia e Sarinha.

Una volta hai realizzato per noi una bellissima e sorprendente illustrazione durante la Giornata internazionale della donna. Pensi di esplorare questo lato dell’illustrazione?
Non lo considero un lavoro, lo faccio come un hobby. Mi piacerebbe esplorare di più, fare un fumetto e lasciarlo al pubblico. Ovviamente avrà personaggi trans, ma non come tema centrale, come la storia di una persona trans che sta subentrando, no. Il genere che mi piace è la fantascienza e anche merda, è sparare, bomba, pugnalata, guerra. Star Wars, Aliens – The Rescue. Cioè, avremo personaggi trans che andranno molto bene.

A parte questo, ho anche un hobby per la modellazione di plastica. Acquistate un kit da un veicolo, aereo o serbatoio e dovete assemblare e verniciare. Sono parte del montaggio di aeroplani di plastica. È una cosa molto divertente e terapeutica, perché mi piacciono gli aerei a tema. Ho realizzato un aereo che prende il nome dal mio amico Buddy. E ho trasformato un aereo da combattimento T-50 dalla Russia in un aereo trans. La maglietta, che bombarda 50 transfobici al giorno e dipingeva l’aereo con i colori della bandiera trans. Una risposta alla legge transfobica e omofobica in Russia.

Cosa pensi che possa fare oggi la società in relazione alle identità trans?
Le persone devono smettere di vederci come qualcosa fuori dal mondo, come un oggetto sessuale, come un mostro. E vederci come persone semplici che sono anche lì in battaglia, che cercano di vivere la propria vita, che hanno sogni, che hanno desideri e che vogliono ottenere una vita dignitosa. Ma sfortunatamente dobbiamo ancora lottare per un diritto fondamentale, che è il diritto alla vita.

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