Assim que recebeu a faixa de Miss T Brasil 2014, a mineira Valesca Dominik, passou a ser alvo de comentários preconceituosos na web. Não somente por ser mulher transexual, por parte dos transfóbicos, mas também por ser a primeira negra a vencer o concurso. Detalhe: vindo da própria comunidade trans.

Quando abri o envelope e vi o nome da Valesca, sabia o que enfrentaríamos. O Brasil ainda é racista”, diz a organizadora Majorie Marchi. “É claro que existem torcidas diferentes. Mas olha para este rosto, para esta pele e este corpo, e veja se não dá para atribuir comentários de que ‘não é adequada’ ou que ‘é feia’ senão pelo racismo”.

O reinado da miss exigiu muita resiliência, coragem e dedicação. Poucos dias antes de embarcar para a Ásia, a miss conversou com exclusividade com o NLUCON durante uma rápida passagem por São Paulo. Esteve linda, carismática e extremamente charmosa. A miss tem fala tranquila, discurso espontâneo e demonstra estar preparada para representar o Brasil. Aliás, Valesca diz que passa pelo concurso absolutamente transformada pela experiência.

Para muitas travestis e mulheres transexuais, ser miss é um sonho. Como surgiu a sua vontade de participar do concurso?
Reconheço que no início levei mais como uma brincadeira. Eu já havia participado e vencido outro concurso (o Miss Pantera Trans 2014) em Minas e resolvi arriscar o nacional. Lá dentro vi que era o sonho de muita gente e, durante os dias, também passou a ser o meu. Levei mais a sério, mas não acreditava que fosse ganhar, até porque olhei à minha volta e percebi que eu era a única negra do meu ano. Perguntei para as meninas se havia outra, mas não tinha. Então, não esperava chegar tão longe.

Nos concursos de mulheres cis, apenas uma negra venceu o Miss Brasil, em 1984. Como foi ficar entre as duas finalistas e ser anunciada a vencedora?
Uma emoção muito grande, porque eu não acreditava que pudesse vencer. Como você mesmo disse, é muito difícil ver negras ganharem concursos de beleza, porque infelizmente a negra ainda não é vista como um padrão de beleza. A negra sempre perde para as loiras, para as morenas, para quem tem a pele clara… Por isso não imaginava que pudesse de fato vencer. Mas após ganhar o título eu senti o peso da faixa e ele mudou a minha vida completamente. Hoje, estou indo com tudo para o Miss International Queen. Muito mais confiante.

O que mudou?
Hoje eu sei que carrego o sonho de muitas pessoas comigo. Porque escuto sempre de trans negras e que não são negras: “Você me representa bem”, “o Brasil não vai passar vergonha”, “Você é um orgulho para a nossa comunidade”. Isso, para mim, já o suficiente para eu me sentir uma vencedora e também para ter vontade de mostrar uma visibilidade positiva lá fora. Sei que muitas estão se espelhando e torcendo por mim. 

Assim que venceu, você foi muito criticada e alvo de muitos comentários de cunho racista na web. Isso mexeu com você?
Não vou mentir que não é o tipo de coisa que a gente gosta de ouvir, mas sei que hoje em dia fica mais feio para quem se mostra preconceituoso. O Brasil é um país democrático e as pessoas falam o que querem. Tenho que ter a consciência que em todas as áreas a gente sofre, que nem todo mundo vai me aplaudir em pé, e que eu tenho que saber aproveitar a crítica produtiva. E foi isso que eu fiz. Fui atrás de aproveitar as críticas produtivas, de escutar o que a Majorie falava e tentar melhorar. Sei que de quando recebi a faixa para agora os comentários são outros. Houve uma evolução na minha aceitação no concurso e é isso que importa. 

Você enfrentou o racismo só neste momento pós-faixa ou ele é presente em sua vida?
É claro que sofro racismo. Quando você é trans e negra você sofre duas vezes e o ataque é ainda mais forte. Por ser trans, te desrespeitam pela sua identidade e falam tudo o que as pessoas já sabem. Mas quando se é trans e negra… Bom, as pessoas me agridem de uma maneira que eu não gostaria de citar aqui. Hoje, posso dizer que sofro mais racismo que a transfobia. O racismo pesa mais, até porque ele vem do próprio mundo trans. A prova está quando eu fui eleita e… Os comentários de muitas trans estão aí na internet para quem quiser ver. É triste porque acaba sendo um grupo discriminado discriminando o outro. Acho tão complicado a gente falar de respeito se não respeita o outro, falar de transfobia se é racista… Hoje, foco nas críticas positivas.

O que pode dizer sobre o olhar da sociedade sobre as travestis e mulheres transexuais?
A sociedade não nos dá nada, mas espera que sejamos a melhor pessoa do mundo. A mesma sociedade que nos exclui da escola e do mercado de trabalho, quer que tenhamos a melhor educação, o melhor comportamento… Mas imagina sair na rua e ser apontada durante 24 horas. Um cutucando o outro, é uma risadinha daqui, é uma porta fechada, é um chamando disso… Eu tenho uma conhecida que é bem agressiva ou antipática, mas devido a tudo o que ela passou na vida. Há alguns anos atrás, eu andava na rua e me jogavam pedra. E para mim o único jeito de conseguir respeito é se eu enfrentasse eles, batesse de frente e eu fui tendo uma personalidade que não era a minha, que é a de ser uma pessoa agressiva. Era uma luta diferente. Hoje vejo que a gente consegue outras coisas, indo atrás dos seus direitos de outras maneiras. E em alguns casos é melhor dar as costas. Já passei por tanta coisa na minha vida, que não vai ser uma palavra que vai me derrubar.

O que a sua família achou de ter a mulher transexual mais bonita do país?
A minha mãe me dá apoio para o que eu quero na minha vida e me dá força para seguir os meus sonhos. Quando ela soube que eu segui um rumo diferente do que a minha família esperava – que era o da prostituição – foi uma felicidade imensa. A minha mãe é o meu porto seguro e a minha família é maravilhosa. Se as pessoas soubessem do valor que a família tem na vida de uma trans, as histórias seriam outras. Se a mãe ou o pai soubessem o peso que eles têm na vida, não colocariam os seus filhos e filhas para fora de casa por uma questão de gênero. Gente, o filho é até então uma pessoa maravilhosa e daí só porque é gay, é lésbica, é trans ou travesti que o caráter muda e todo o amor some?

Foi tranquilo para a sua família te aceitar ou te respeitar como mulher transexual?
Venho de uma família evangélica e vivi em uma casa onde a minha mãe foi a mãe solteira de quatro filhos. Como eu era a mais velha e a minha mãe saía cedo para trabalhar, eu tinha que ajudar a cuidar dos três mais novos. Existiam cobranças por ser a filha mais velha e também por estar dentro da igreja. Então, o começo (de eu ter me assumido) não foi fácil, como nunca é para ninguém. Me assumi com 18 anos, primeiro dizendo que era homossexual e em menos de 5 meses revelei a minha transexualidade. No começo, não sabia direito o que acontecia comigo, só sabia que gostava de homem e me sentia um pouco perdida…
A partir do momento que não fui me sentindo bem com as roupas e com a minha imagem masculina, fui construindo a minha imagem feminina e a minha identidade. Encontrei o meu gênero verdadeiro. Com o tempo, eles foram se acostumando e a me respeitando. Hoje minha família é a base de tudo.

O que uma miss pode contribuir para a visibilidade trans?
É uma visibilidade positiva. Tiramos as trans de alguns espaços e passamos a falar sobre beleza, desfile, temas que a sociedade não está acostumada. Só o fato de falarmos sobre algo positivo, já ajuda a quebrar muitas barreiras, abrir novas portas e trazer mais oportunidades. Acho que o concurso ajuda a levar o respeito. E, se você tem a capacidade de respeitar o que outro quer para a vida dele, isso já ajuda muito cada um seguir à sua maneira. O respeito ajuda uma trans a entrar para o mercado de trabalho, ajuda uma trans a estudar.

Uma curiosidade: qual foi a primeira trans que você viu na vida e que trouxe uma visibilidade positiva?
Big Brother Brasil. Ariadna. Foi a primeira. Eu achei linda e na época eu trabalhava em salão, pois a única porta de mercado certeiro é salão e prostituição. Comecei a admirar a beleza dela e acompanha-la na mídia e essas coisas. Só depois dela é que comecei a reparar e a conhecer outras. (Majorie afirma que Valesca ficou super feliz quando Ariadna curtiu algumas fotos dela no Facebook: “Ficou toda contente”).

Você já enfrentou dificuldades no mercado de trabalho formal?
Não sou poupada de sofrer preconceito, não. Não importa se é bonita, feia, alta, magra, gorda.
Eu já sofri preconceito. Uma vez eu fui procurar trabalho com uma mulher cis em uma loja de cosmético.
O rapaz que atendeu a gente disse que havia duas vagas e que a gente se encaixava no padrão que eles procuravam. Aí, quando eu entrego o currículo, o assunto muda na hora.
Ele vira para a minha amiga e fala: “A sua vaga é mais garantida, né, pelo seu currículo”.
E vira para mim: “Você vai precisar esperar para uma próxima, porque eu vi agora que só temos uma vaga”. Ou seja, tinha duas vagas até ele saber o meu nome civil…

Você não fez a retificação dos documentos?
Ainda não, mas está em andamento. E isso dificulta muito. Vi que um programa de TV chegou a fazer uma matéria com a Ariadna, e ficou esclarecido que há preconceito, sim. As pessoas até tentam falar que não há preconceito, que há falta de vontade das trans em procurar, mas quem é travesti ou transexual sabe que isso existe. E que é muito forte. O mercado do sexo tem até gente que está porque gosta, mas muita gente está porque não tem oportunidade.

Sabemos que mais de 90% das travestis trabalham na prostituição, segundo a Articulação Nacional de Travestis e Transexuais? O que pensa quem diz que é “uma vida fácil”?
A prostituição é um trabalho como qualquer outro, mas se fosse vida fácil, todo mundo trabalharia nela. Só quem passou pela prostituição e vive dela sabe que não tem nada de vida fácil. O problema é que o ser humano tem a mania de achar o que não serve para ele, não deve servir para mais ninguém. Esquece que a vida é gentil com uns e não com outros. Esquece que temos adolescentes colocados para fora de cada e que vê na prostituição um meio de sobrevivência. E que é por isso e outros motivos que não temos que julgar ninguém.
Não é feio ser prostituta, garota de programa ou garoto de programa. O feio é quem fica apontando o dedo sem saber o que o outro passa.
Para mim, este é um trabalho que vem lá de trás e que merece respeito.

O Brasil é o país que mais mata travestis e mulheres transexuais do mundo, de acordo com a ong Transgender Europe. Em rodas de conversa dizem que toda trans já perdeu uma amiga pela transfobia. Você já perdeu?
Já. Perdi uma amiga que trabalhava na rua se prostituindo. Foi morta de uma maneira desumana, um crime de ódio e que é difícil de falar. Então, essa luta que comprei é por ela. Porque ela também era negra, um amor de pessoa e não merecia perder a vida da forma como perdeu. E isso me faz pensar que poderia ser qualquer uma de nós. Qualquer uma. Poderia ser eu e uma outra estaria falando do meu caso. Ou então morre e ninguém fala nada. Isso precisa ser mudado, porque somos pessoas como qualquer outra. Temos sentimentos, temos sonhos, sofremos.
Eu sempre pergunto: “O que muda na sua vida eu ser trans?”. Eu acho que ninguém é obrigado a gostar de trans, mas tem que respeitar. Se não gosta e me vê caminhando na mesma direção, que vá para outra calçada. Não tem problema, porque quando você se aceita, a transexualidade é um detalhe. O problema é a pessoa se achar no direito de agredir, xingar e atacar alguém porque não gosta.

Vamos fazer aquelas perguntas de concursos de Miss. Rola na Câmara a PL do Estatuto da Família, que visa considerar família apenas a união entre homem, mulher e filhos.
O que é família para você e de qual maneira esse projeto vai contra as famílias brasileiras?
Família não deve ser definida apenas por uma questão de sangue. Família é toda relação que tem amor, que tem compreensão, que tem confiança, que tem vontade de proteger. Isso é família.
Se é entre dois homens, duas mulheres ou um casal hétero não importa. Acho uma burrice e uma pretensão alguém se julgar no direito de estipular o que é família. Por exemplo, a minha mãe mesmo criou eu e meus irmãos sem a presença de um pai durante muitos anos. Então quer dizer que durante muito tempo eu mesma sequer tive família? Só isso prova que essa lei é preconceituosa até com os héteros (cis).

Pelos concursos de miss, é possível ver que o padrão de beleza de travestis e mulheres transexuais mudou com o passar dos anos. Antes eram mais voluptuosas e, hoje, talvez não invistam em medidas tão fartas. Percebe isso?
A nova geração quer uma aparência mais natural e está investindo em meios menos prejudiciais ao corpo. Tanto que eu não tenho o silicone industrial e não recomendo. Se você for reparar os problemas de saúde que muitas estão tendo hoje em dia, dá um pouco de medo de passar por ele.
Acho que há outros meios mais seguros que o silicone (industrial) para a modificar o corpo ao nosso gênero. O que fica bonito em um dia é mutilação no outro. Sou contra (o silicone industrial).

Em quem você se espelha como beleza?
Só existe uma para mim: Naomi Campbell (foto abaixo). Exemplo de modelo, de beleza e de sucesso. É um espelho e uma referência.

Tem alguma dica de beleza para as meninas?
O hormônio é muito importante para nós em vários sentidos. Também aconselho uma boa limpeza de pele, investir uma alimentação mais saudável e academia. Hoje eu estou só na dieta, mas geralmente faço academia seis dias na semana, por duas horas.

Uma miss pode namorar?
O assédio aumentou, mas atualmente eu estou indo, deixando a vida levar… Eu conheci uma pessoa depois do concurso, mas não gosto de expor o relacionamento.

Majorie: Uma miss T pode ser casada, por fazer programa, pode quase tudo e sem hipocrisia. E o namorado da Valesca é uma graça e é recomendado pela organização do concurso. Ele ajuda muito no desenvolvimento da miss.

Qual é o seu sonho?
O meu sonho é poder proporcionar uma vida melhor para a minha família, mandar a Majorie para bem longe fazer uma turnê (risos). E poder seguir uma carreira profissional, de preferência no mundo da moda. 

O que diria para as meninas que te veem como um exemplo e que estão na torcida?
A vida não é fácil para ninguém, mas que cada pessoa deve ir atrás dos seus sonhos.
É se agarrar firme com Deus e seguir firme na caminhada. Ah! E torçam por mim!

 

Intervista a Valesca Dominik, Miss T Brasile 2014

Non appena ha ricevuto la traccia di Miss T Brasil 2014, la Minas Gerais Valesca Dominik è diventata oggetto di commenti distorti sul web. Non solo per essere una donna transessuale da parte dei transfobici, ma anche per essere stata la prima donna nera a vincere il concorso. Dettaglio: provenienti dalla stessa comunità trans.
Quando ho aperto la busta e ho visto il nome di Valesca, sapevo cosa avremmo affrontato. Il Brasile è ancora razzista“, afferma l’organizzatrice Majorie Marchi. “Naturalmente ci sono fan diversi. Ma guarda questa faccia, questa pelle e questo corpo, e vedi se non puoi commentare che non è “appropriata” o “brutta”, è solo razzismo”.
Il regno di Miss ha richiesto molta capacità di recupero, coraggio e dedizione. Pochi giorni prima di imbarcarsi per l’Asia, la miss ha parlato esclusivamente con NLUCON durante un breve periodo a San Paolo. Era bellissima, carismatica ed estremamente affascinante. Ha parlato in modo tranquillo, un discorso spontaneo che dimostra di essere pronta a rappresentare il Brasile. Per inciso, Valesca dice che l’esperienza concorso l’ha completamente trasformata.

Per molti travestiti e donne transgender, essere una Miss è un sogno. Come è stato partecipare al concorso?
Riconosco che all’inizio ho preso di più tutto per scherzo. Avevo già partecipato e vinto un altro concorso (Miss Pantera Trans 2014) a Minas e ho deciso di rischiare la nazionale. Ho visto che era il sogno di molte persone e, nei giorni, è diventato anche il mio. L’ho preso più sul serio, ma non pensavo che avrei vinto, perché mi sono guardata intorno e ho capito che ero l’unica donna di colore. Ho chiesto alle ragazze se ce n’era un’altra, ma non c’era. Quindi non mi aspettavo di arrivare così lontano.

Nelle gare cis femminili, solo una donna di colore ha vinto Miss Brasile nel 1984. Come è stato sentirsi tra le due finaliste e essere stata annunciata come vincitrice?
Un’emozione molto grande perché non credevo di poter vincere. Come hai detto, è molto difficile vedere donne di colore vincere concorsi di bellezza, perché purtroppo il nero non è ancora visto come uno standard di bellezza. Il nero perde sempre rispetto a bionde, a brune, a chi ha la pelle chiara…Quindi non immaginavo che potessi davvero vincere. Ma dopo aver vinto il titolo ho sentito il peso della cosa e mi ha cambiato completamente la vita. Oggi vado a Miss International Queen molto più fiduciosa.

Che cosa è cambiato?
Oggi so che porto con me i sogni di molte persone. Perché ascolto sempre le nere trans che non sono nere: “Mi rappresenti bene”, “Il Brasile non si vergognerà”, “Sei un orgoglio per la nostra comunità”. Questo, per me, è abbastanza per sentirmi una vincente e anche per voler mostrare una visibilità positiva là fuori. So che molti stanno eseguendo il mirroring e il rooting per me.

Una volta che hai vinto, sei stata pesantemente criticata e oggetto di molti commenti razzisti sul web. Ti ha colpita?
Non mentirò, non è il genere di cose che mi piace ascoltare, ma so che al giorno d’oggi diventa più brutto per coloro che sono prevenuti. Il Brasile è un paese democratico e la gente dice ciò che vuole. Devo essere consapevole del fatto che in tutti i settori soffriamo, che non tutti mi applaudiranno in piedi e che devo sapere sfruttare le critiche produttive. Ed è quello che ho fatto. Ho ascoltato quello che stava dicendo Majorie e ho cercato di migliorare. Da quando ho ricevuto il titolo ora i commenti sono diversi. C’è stata un’evoluzione nella mia accettazione del concorso ed è questo che conta.

Hai affrontato il razzismo solo in questo momento post gara o è presente nella tua vita?
Naturalmente soffro di razzismo. Quando sei trans e nera soffri due volte e l’attacco è ancora più forte. Ti mancano di rispetto per la tua identità, le persone mi attaccano in un modo che non vorrei citare qui. Oggi posso dire di soffrire più razzismo che transfobia. Il razzismo pesa di più, perché proviene dallo stesso mondo trans. La prova è quando sono stato eletta e i commenti di molte trans sono là fuori su Internet per chiunque voglia vedere. È triste perché finisce per essere un gruppo discriminato che discrimina l’altro. Trovo così complicato parlare di rispetto se non ti rispetti, parlare di transfobia se sei razzista. Oggi, voglio concentrarmi sulle recensioni positive.

Cosa puoi dire del punto di vista della società sui travestiti e sulle donne transgender?
La società non ci dà nulla ma si aspetta che siamo la persona migliore al mondo. La stessa società che ci esclude dalla scuola e dal mercato del lavoro vuole che abbiamo la migliore istruzione, il miglior comportamento. Ma immagina di uscire per strada e di essere additata per 24 ore. Uno che colpisce l’altro, è una risatina da qui, è una porta chiusa, è una sua chiamata. Sono conosciuta come piuttosto aggressiva o odiosa, ma è a causa di tutto quello che ho passato nella sua vita. Qualche anno fa camminavo per strada e mi lanciavano pietre. E per me l’unico modo per ottenere rispetto è stato confrontarmi, li ho colpiti a testa alta, e ho dovuto tirare fuori una personalità che non era la mia, quella aggressiva. È stata una lotta diversa. Oggi vedo che otteniamo altre cose perseguendo i diritti in altri modi. E in alcuni casi è meglio voltare le spalle. Ho passato così tanto nella mia vita, non sarà una parola che mi farà cadere.

Cosa ha pensato la tua famiglia di avere la donna transgender più bella del paese?
Mia madre mi dà supporto per quello che voglio nella mia vita e mi dà la forza di seguire i miei sogni. Quando ha saputo che stavo andando in una direzione diversa da quella che la mia famiglia si aspettava – che era la prostituzione – hanno provato un’immensa felicità. Mia madre è il mio rifugio sicuro e la mia famiglia è meravigliosa. Se le persone sapessero che valore ha la famiglia nella vita di una trans, le storie sarebbero diverse. Se mamma e papà conoscessero il loro peso nella vita, non metterebbero i loro figli e le loro figlie fuori di casa per motivi di genere. Ragazzi, il figlio è una persona meravigliosa fino ad allora e solo perché è gay, è lesbica, trans o trav, cambia e tutto l’amore scompare?

È stato facile per la tua famiglia accettarti o rispettarti come donna transgender?
Vengo da una famiglia evangelica e vivevo in una casa in cui mia madre era madre single di quattro figli. Dato che ero la più grande e mia madre è partita presto per lavoro, ho dovuto aiutare a prendermi cura dei tre più piccoli. Ci sono state accuse di essere la figlia maggiore e anche di essere all’interno della chiesa. Quindi l’inizio non è stato facile, come non lo è mai stato per nessuno. Ho assunto il controllo a 18 anni, dicendo innanzitutto che ero omosessuale e in meno di 5 mesi ho rivelato la mia transessualità. All’inizio non sapevo esattamente cosa mi stesse succedendo, sapevo solo che mi piacevano gli uomini e mi sentivo un po’ persa. Dal momento in cui non mi sentivo bene con i vestiti e con la mia immagine maschile, stavo costruendo la mia immagine femminile e la mia identità. Ho trovato il mio vero genere. Nel tempo, si sono abituati e mi hanno rispettata. Oggi la mia famiglia è la base di tutto.

Come è essere visibili come trans?
È una visibilità positiva. Abbiamo preso le trans da alcuni spazi e abbiamo iniziato a parlare di bellezza, sfilata, temi a cui la società non è abituata. Il solo fatto di parlare di qualcosa di positivo aiuta già ad abbattere molte barriere, ad aprire nuove porte e ad offrire maggiori opportunità. Penso che il concorso aiuti a portare rispetto. E se hai la capacità di rispettare ciò che gli altri vogliono nella loro vita, aiuta molto a seguire la propria strada. Il rispetto aiuta una trans a entrare nel mercato del lavoro, a studiare.

Una curiosità: qual è stata la prima trans che hai visto nella tua vita che ha portato visibilità positiva?
Grande Fratello Brasile. Ariadna. È stata la prima, ho pensato che fosse bella e all’epoca lavoravo in un salone, perché l’unica porta di mercato di lavoro che si apre per noi è il salone o la prostituzione. Ho iniziato ad ammirare la sua bellezza e a seguirla nei media. Solo dopo di lei ho iniziato a notare e conoscere gli altri. (Majorie afferma che Valesca era felicissima quando ad Ariadna piacevano alcune sue foto su Facebook: “Era tutta contenta”).

Hai incontrato difficoltà nel mercato del lavoro formale?
Non mi viene risparmiato il pregiudizio, no. Non importa se sono carina, brutta, alta, magra, grassa. Ho già subito pregiudizi. Una volta sono andata a cercare lavoro con una donna cis in un negozio di cosmetici. Il ragazzo che ci ha risposto ha detto che c’erano due posti vacanti e che ci adattavano al modello che stavano cercando. Quindi, quando ho consegnato il curriculum, è cambiato. Si rivolge alla mia amica e dice: “Il tuo lavoro è più garantito, giusto, dal tuo curriculum.” E si volta verso di me, “Dovrai aspettare il prossimo, perché ho visto ora che abbiamo solo un punto”. Cioè, ho avuto due posti vacanti fino a quando non ha conosciuto il mio nome civile.

Non hai rettificato i documenti?
Non ancora, ma è in corso. E questo rende tutto molto difficile. Ho visto che uno show televisivo ha anche fatto una storia con Ariadna, ed era chiaro che ci sono pregiudizi, sì. Le persone provano persino a dire che non c’è alcun pregiudizio, che c’è una mancanza di volontà delle trans di cercare, ma chi è trav o transessuale sa che esiste. E questo è molto forte. Il mercato del sesso ha anche persone che lo sono perché a loro piace, ma molte persone lo sono perché non hanno opportunità.

Sappiamo che oltre il 90% dei travestiti lavora nella prostituzione, secondo la National Association of Transvestites and Transsexuals? Cosa ne pensi di chi dice che è una “vita facile”?
La prostituzione è un lavoro come un altro, ma se fosse una vita facile, tutti ci lavorerebbero. Solo coloro che hanno subito la prostituzione e vivono di essa sanno che non c’è nulla di facile. Il problema è che l’essere umano ha l’abitudine di trovare ciò che non gli sta bene. Dimentica che la vita è gentile con l’uno e non con gli altri. Dimentica che hanno buttato fuori gli adolescenti che vedono la prostituzione come mezzo di sopravvivenza. E questo è il motivo per cui non dobbiamo giudicare nessuno. Non è brutto essere una prostituta, una call girl o un call boy. Il brutto è chi punta il dito senza sapere cosa c’è dietro Per me, questo è un lavoro che merita rispetto.

Il Brasile è il paese che uccide la maggior parte dei travestiti e delle donne transgender nel mondo, secondo l’ONG Transgender Europe. Nel rapporto dicono che ogni trans ha perso un amico a causa della transfobia. A te è successo?
Ho già perso una amica che lavorava per strada prostituendosi. È stata uccisa in modo disumano, un crimine di odio di cui è difficile parlare. Quindi questa lotta che ho iniziato è anche per lei. Perché anche lei era nera, dolcezza, e non meritava di perdere la vita. E questo mi fa pensare che potrebbe essere una di noi. Qualcuno. Potrei essere io e un altro parlerebbe del mio caso. O muoio e nessuno dice niente. Questo deve essere cambiato perché siamo persone come le altre. Abbiamo sentimenti, abbiamo sogni, soffriamo.

Penso che nessuno sia obbligato ad apprezzare le trans, ma deve rispettarle. Se non ti piaccio e mi vedi camminare nella stessa direzione, vai su un altro marciapiede. Nessun problema, perché quando ti accetti, la transessualità è un dettaglio. Il problema è che la persona ha il diritto di picchiare, maledire e attaccare qualcuno perché non gli piace.

Il PL dello statuto della famiglia è alla Camera, e mira a considerare la famiglia solo l’unione tra uomo, donna e bambini. Cos’è la tua famiglia e come va questo progetto contro le famiglie brasiliane?
La famiglia non dovrebbe essere definita solo per amore del sangue. La famiglia è ogni relazione che ha amore, che ha comprensione, che ha fiducia, che vuole proteggere. Questa è famiglia. Non importa se è tra due uomini, due donne o una coppia etero. Penso che sia stupido e pretenzioso giudicare sul diritto di stabilire quale famiglia sia. Ad esempio, mia madre ha allevato me e i miei fratelli senza padre per molti anni. Quindi vuoi dire che per molto tempo non ho nemmeno avuto una famiglia? Questo da solo dimostra che questa legge è pregiudicativa anche per gli etero.

Dai contest di Miss, puoi vedere che lo standard di bellezza dei travestiti e delle donne transgender è cambiato nel corso degli anni. Prima erano più voluttuosi e oggi non hanno più misure così abbondanti.
La nuova generazione vuole un aspetto più naturale e sta investendo in mezzi meno dannosi. Tanto che non ho silicone industriale e non lo consiglio. Penso che ci siano altri modi più sicuri del silicone industriale per modificare il corpo in base al nostro genere. Ciò che è bello un giorno diventa brutto in un altro. Sono contro il silicone industriale.

A chi guardi come bellezza?
Ce n’è solo uno per me: Naomi Campbell. Esempio di modella, bellezza e successo. È uno specchio e un riferimento.

Hai qualche consiglio di bellezza per le ragazze?
L’ormone è molto importante per noi in molti modi. Consiglio anche una buona pulizia della pelle, investire in una dieta più sana e fare palestra. Oggi sono solo a dieta, ma di solito vado in palestra sei giorni alla settimana per due ore.

Qual è il tuo sogno?
Il mio sogno è poter offrire una vita migliore alla mia famiglia, mandare Majorie a fare un giro (ride). E essere in grado di perseguire una carriera professionale, preferibilmente nel mondo della moda.

Cosa diresti alle ragazze che ti vedono come esempio?
La vita non è facile per nessuno, ma ogni persona deve inseguire i propri sogni. È restare stretti a Dio e andare avanti con costanza. Ah! E tifo per me!

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